quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Aprenda a lidar com as adversidades


Veja como lidar bem com os cortes de custos 
 
Ao anúncio de um corte, alerte o chefe sobre os impactos e como minimizá-los. Pequenas mudanças, como a contratação de estagiários, podem ter efeito positivo na qualidade de vida do grupo.
Proponha melhorias. Demonstre para a chefia que é possível ter resultados melhores com um investimento maior em pessoas.
Em equipes menores, o planejamento de tarefas e prazos de entrega passa a ser fundamental para evitar a sobrecarga.
Numa realidade de equipes enxutas, é preciso delegar. Por isso, escolha muito bem os colaboradores com quem quer trabalhar.

Pequenos tsunamis corporativos
 
Como passar de forma positiva pelas mudanças no ambiente corporativo:

Antecipe-se. Desconhecer as consequências da mudança aumenta a ansiedade. Por isso, busque o máximo de informação sobre a transição.
Em vez de calcular as possíveis perdas pessoais, procure mapear as oportunidades que podem surgir na nova configuração da companhia.
Aproveite os momentos de integração entre as equipes, que costumam ocorrer após as fusões e reestruturações, para socializar com a nova chefia.
Não resista. Essa atitude vai excluí-lo dos grupos de trabalho.

Faça a escolha certa 
 
Como incluir aprendizado e atualização na agenda:

1. "Defina prioridades de acordo com o momento de carreira", diz João Mendes, consultor da Vicky Bloch e Associados.

2. Selecione suas fontes de informação. Avalie criticamente publicações, sites e blogs que lê e fique com aqueles que são indispensáveis. Faça o mesmo nas redes sociais. "Seguir centenas de pessoas no Twitter é contraproducente", diz o consultor Christian Barbosa, especialista em gestão de tempo.

3. Crie uma rotina para absorver essas informações. Estabeleça um período máximo de tempo para fazer a leitura dessas fontes. "Não é necessário mais do que uma hora por dia", afirma Christian.

4. Seja rigoroso nas decisões de como usar seu tempo. Escolhas certas aumentam a convicção e diminuem a angústia de ter perdido alguma coisa. Antes de se inscrever em um curso de atualização, avalie se ele, efetivamente, fortalece algum ponto fraco do seu currículo.

5. Defina horários para acessar e responder e-mails. Evite fazer isso nos momentos reservados à sua família. Estabeleça limites para ligações de trabalho. Após um determinado horário, não atenda ao telefone fixo nem ao celular.

6. Aprenda a não se comparar a todo instante, pois é um fator de angústia, que se tornou mais comum com as redes sociais.

Conheça alguns comportamentos de quem é ou pode se tornar Workaholic

O ultradetalhista
É a pessoa que quer ou faz tudo perfeitinho, nos mínimos detalhes, ou não faz nada. quando começa uma tarefa, ela a leva até o limite da exaustão.

O degustador
Ele fica curtindo um serviço até não poder mais, como um alcoólatra faz com a bebida. os americanos chamam esse tipo de "saboreador". no fundo, a pessoa é insegura e teme nunca ter feito o trabalho suficientemente bem.

O incansável

Quer tudo para ontem e precisa de prazos apertados para se motivar. Assume muitas responsabilidades, mas não sabe estabelecer prioridades. Acaba cometendo erros por distração.

O herói
É o maluco que deixa uma crise se estabelecer no escritório porque assim ele tem a oportunidade de dar uma de herói. normalmente é controlador e trabalha mal em equipe.

O hiperativo

Ele vive atolado de trabalho. é o sujeito que se sente na obrigação de aparecer com um novo projeto matador toda semana, mas nunca conclui nada.

Fonte: Revista Você S/A

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Manual para entender o coaching

Muita gente não sabe distinguir o bom profissional de coaching dos falarões de plantão. Mas há maneiras de descobrir se você caiu nas mãos de alguém mais interessado no seu bolso do que em seu desenvolvimento.

O coaching é uma das melhores formas de desenvolvimento profissional que existem. Ainda assim, muita gente duvida dessa modalidade de treinamento pessoal. Isso ocorre porque as pessoas ou desconhecem o processo ou passaram por uma experiência ruim com um picareta. Afinal, esse mercado se tornou um filão lucrativo, atraindo muita gente despreparada para atuar como coach. Mas como saber se você está diante de um bom orientador? Confira as dicas a seguir.

Sensação de descoberta 
Uma forma de saber se você está diante de um bom coach é notar se ele faz perguntas e dá feedback. Existe, porém, algo além disso. O processo pode ser doloroso ou motivador: quando é motivador é coaching, quando é doloroso é só enganação. O coaching é motivador porque o cliente descobre possibilidades onde antes só enxergava velhas soluções, e isso traz uma agradável sensação de realização. Mas como isso funciona? Na verdade, todos os que já experimentaram essa sensação de descoberta já sabem a resposta de forma intuitiva desde a escola. Naquela época, ao ajudar um colega com uma matéria, descobrimos que sabíamos mais do que pensávamos saber, pois o ato de transformar pensamentos em linguagem nos faz “reinventar” o que já sabemos. O mesmo ocorre em um processo de coaching. Mas isso acontece com todos ou só é bom para alguns?

Processo livre 
O coaching é uma escolha, pois o processo de reflexão e de transformação precisa ser livre, e não submisso. No caso de processos de coaching organizados pelas empresas, o patrocinador deve ficar atento se o executivo está passando pelo processo realmente por livre escolha ou se está se submetendo com receio de ficar “mal na foto”. No caso de o processo ser por livre escolha, os resultados podem ser inúmeros, desde o aumento de autonomia, passando pelo desenvolvimento de competências até a reinvenção do profissional. Tudo depende de até onde vai a vontade de se aprimorar.

Ferramenta e feedback: ruim 
O que vem acontecendo no mercado é o que chamo de “uma ferramenta e umas feedbecadas”. O processo começa com a aplicação de uma ferramenta de análise de perfil seguida de poucas reuniões de feedback. Um coach recém-formado facilmente vende o processo, que é barato para a empresa, aparentemente, e seguro para o coach, porque o receio de estar frente a frente com o cliente e não saber o que dizer ou fazer fica camuflado pelo uso do relatório, que promete avisar ao cliente em que ele precisa ser corrigido. A falácia é: se a emenda não vem, o problema é o relatório ou o cliente que não soube aproveitar o processo, e não o coach. Os executivos que passam por essa “feedbecada” não mudam.

É roubada quando... 
O processo é pré-formatado, por exemplo, com 12 sessões predefinidas e cada uma abordar um assunto. Ora, é impossível formatar um processo de desenvolvimento de pessoas de maneira rígida e inflexível. O resultado é que geralmente após os encontros o coach vai embora e o coachee volta ao que era antes. Isso ocorre porque o coach se arvorou a conhecer qual o melhor processo de desenvolvimento para o cliente e, assim, traiu a principal premissa do coaching que é “só o cliente sabe o que é melhor para ele”.

Como escolher o coach 
Se você está buscando um coach, preste atenção à formação dele. Saiba, porém, que só ela não é suficiente. Entreviste o coach e pergunte quem foi o supervisor dele e quem foi seu coach. Se ele nunca “precisou” de um coach, cuidado. Será que ele pensa que só precisa de coaching quem tem problemas e, portanto, ele, coach, não precisa? Fique atento, pois esse não é o profissional que você procura.

O que ele deve saber 
Um coach não precisa ser um especialista, só precisa conhecer a técnica e suas limitações. Ele não precisa conhecer o negócio, nem o segmento no qual a empresa atua, mas precisa distinguir culturas organizacionais e entender que nem tudo que é bom para o varejo é bom, por exemplo, para o executivo de óleo e gás.

Só para problemáticos? 
Coaching não é para os problemáticos, pelo contrário. É realmente voltado a quem quer ir além do que é esperado dele, pois sente que tem potencial para se desenvolver. É verdade que algumas vezes, apesar do coachee querer muito, o clima na organização não o deixa seguro com relação à confidencialidade do processo, acreditando que o que for dito para o coach vá chegar ao conhecimento do chefe, que passam o processo todo fazendo teatro. Por isso, é importante que a empresa informe ao coach os resultados que vêm sendo alcançados, pois fazer teatro o tempo todo é impossível.

Peça uma demonstração 
Outra forma de distinguir um bom coach de um ruim é solicitar referências e uma demonstração. Até o RH que está contratando coaches para os executivos de sua empresa deve solicitar uma demonstração. Se ao fim da conversa perceber que descobriu uma resposta de valor, que não foi um conselho (o que seria consultoria) nem um ensinamento (o que seria mentoring) do coach, então pode contratar o profissional para a empresa. O coach não precisa conhecer o negócio, mas precisa conhecer a técnica e suas limitações e distinguir culturas empresariais diferentes.

Fonte: Revista Você S/A, por Eliana Dutra
*Eliana Dutra é diretora executiva da Pro-Fit, vicepresidente da international Coach Federation – Brazil Chapter e autora do livro Coaching: o Que Você Precisa Saber (Ed. Mauad X). Ela trabalha com presidentes de empresas e executivos de primeiro time. representa no Brasil a Coach u, principal escola de coaching dos Estados Unidos

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cai a demanda por crédito no país

Todas as regiões registraram queda na busca por crédito em outubro. O maior recuo aconteceu no Nordeste, com -6%.

A busca por crédito em outubro diminuiu 4,6% em relação a setembro, de acordo com o indicador da Serasa Experian divulgado no último dia 14. Na comparação com outubro do ano passado, a demanda aumentou 0,1%, sendo a menor taxa de expansão anual desde outubro de 2009. Todas as regiões do país registraram queda na busca por crédito em outubro, sendo que as maiores retrações ocorreram no Nordeste (-6%) e no Norte (-5,8%). Apesar de ser a maior queda na comparação mensal, a região Nordeste aparece com a maior taxa de aumento da procura por crédito no acumulado no ano, com expansão de 15,9%. Em seguida, vem o Centro-Oeste, com crescimento de 12,1%. O Norte registrou alta de 10% no período; o Sudeste, de 9,6%; e o Sul, de 8,1%.
No acumulado do ano, houve crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2010.No Centro-Oeste, o recuo chegou a 3,9%; no Sul, a 4,3%; e no Sudeste, a 4,4%.

Quando analisada a faixa de renda, o indicador mostra que a retração na procura por crédito em outubro ocorreu em todas as faixas salariais. A queda foi maior entre os consumidores que ganham entre R$ 500 e R$ 1.000 mensais (-5,8%). Em seguida, aparecem aqueles com rendimento mensal entre R$ 1.000 e R$ 2.000 (-4,7%) e os que ganham mais de R$ 10.000 por mês (-4,5%). A menor redução foi registrada entre os consumidores que ganham até R$ 500 por mês (-1,7%).

No acumulado do ano, as pessoas que ganham até R$ 500 por mês continuam na liderança do aumento de busca por crédito, com expansão de 24,4% em comparação ao mesmo período do ano passado. Depois, estão os consumidores que ganham entre R$ 5.000 e R$ 10.000 por mês, com alta de 14%. Aqueles com renda mensal entre R$ 1.000 e R$ 2.000 registram alta de 5,9% nessa base de comparação.

Fonte: Época

Inflação recua e emprego registra alta na indústria

Índice divulgado pelo IBGE mostra que a inflação foi menor em outubro em comparação com setembro e emprego teve vigésimo aumento consecutivo.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que mede a inflação oficial do país, desacelerou em outubro e ficou em 0,43%. Em setembro o índice estava em 0,53%. A diminuição foi influenciada pelo ritmo menos intenso de alta nos preços dos alimentos (de 0,64% para 0,56%). No acumulado de 12 meses, no entanto, o índice registra alta de 6,97%, acima da meta de inflação estipulada pelo Banco Central, em 6,5%. De janeiro a outubro, o índice ficou em 5,43%.

O resultado apresentado nesta sexta-feira, apresenta queda nas taxas dos índices do leite (de 2,47% para 0,05%), do frango inteiro (de 2,94% para -0,05%) e do feijão-carioca (de 6,14% para -1,88%). Os produtos não alimentícios também tiveram variação menor do que no mês anterior, tendo passado de 0,50% para 0,39%. No grupo transportes, cuja taxa caiu de 0,78% para 0,48%, contribuíram para o decréscimo as passagens aéreas, que, embora tenham continuado a exercer o principal impacto no mês, reduziram o ritmo de alta. Confira o no site do IBGE a lista completa dos resultados por setor.

Emprego registra leve alta na indústria

Ainda segundo o IBGE, o emprego na indústria brasileira registrou aumento de 0,4% em setembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. É a 20ª alta consecutiva nesse tipo de comparação.
A folha de pagamento real cresceu 4,3% na comparação entre setembro deste ano e o mesmo período de 2010. O número de horas pagas, no entanto, caiu 0,3%.

Metade dos 14 locais pesquisados apresentou alta na taxa de emprego nesse período, com destaque para o Paraná (6,7%), a Região Norte e Centro-Oeste (3,6%), Minas Gerais (1,8%), o Rio Grande do Sul (1,9%) e Pernambuco (5,4%).

O IBGE também observou que metade dos 18 setores pesquisados teve alta. Os destaques ficaram com alimentos e bebidas (3,7%), meios de transporte (6,5%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (6,6%).
O crescimento acumulado no ano chega a 1,5%. A taxa acumulada no período de 12 meses apresenta alta de 2%. Nesta quinta-feira (10), o IBGE já havia divulgado que o emprego industrial em setembro caiu 0,4% em relação a agosto deste ano.

Fonte: Época

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O que as pessoas de sucesso fazem diferente


A psicóloga motivacional Heide Grant Halvorson tem dicas valiosas que ajudam profissionais a serem bem-sucedidos

Profissionais com personalidades, qualidades e defeitos distintos comemoram o sucesso a todo o momento. Não há, portanto, um tipo de ser humano mais propenso a alcançar os seus objetivos e obter o tão sonhado sucesso. Ou seja, ser bem-sucedido não tem a ver com quem você é, mas com o que você faz, de acordo com um artigo publicado na Harvard Business Review por Heidi Grant Halvorson, Ph.D em psicologia motivacional e autora das obras “Nove coisas que as pessoas de sucesso fazem diferente” e “Como podemos alcançar nossos objetivos”. Se você ainda precisa de um empurrãozinho, veja nove dicas para começar a fazer melhor.

1) Seja específico. Quando você determinar um objetivo, tente ser o mais específico possível. “Perder 5 quilos” é um objetivo melhor do que “perder alguns quilos”, porque dão a clara ideia do que é preciso alcançar para ter sucesso.

2) Não deixe as oportunidades escaparem. Com todas as tarefas diárias, provavelmente você deve perder muitas chances de atingir seus objetivos. Às vezes pode valer a pena retornar aquela ligação “urgente” depois. Lembre da primeira dica e especifique também uma data para concluir seu desafio. Pense também que você pode trabalhar para alcançar os seus objetivos 30 minutos antes ou depois do trabalho.

3) Saiba exatamente o quão longe você terá de ir. Seja honesto e monitore regularmente o seu progresso. Se você não souber se está indo bem, não poderá ajustar suas estratégias. Cheque a sua evolução diariamente, semanalmente, enfim, tudo irá depender da data estabelecidade para o seu objetivo.

4) Seja realmente otimista. Acredite na sua capacidade de ser bem-sucedido. Crie a sua própria motivação. Mas nunca subestime a dificuldade em alcançar o sucesso. Muitos objetivos exigem tempo, planejamento, esforço e muita persistência.

5) Veja o quanto está ficando melhor. Acreditar que você tem habilidades para comemorar o sucesso é importante, mas só vale se acreditar que é possível conquistar essas habilidades. Muitos acreditam que a inteligência e a personalidade não mudam, e assim deixam de crescer. Esse crescimento também depende das nossas melhores escolhas.

6) Seja duro na queda. Seja persistente se encontrar obstáculos e tenha boa vontade em se comprometer com objetivos de longo prazo.

7) Construa sua força de vontade. Seu “músculo” do auto-controle é igual a outros músculos do seu corpo – quando não exercitados, ficam fracos ao longo do tempo. Para exercitar esse músculo assuma um desafio que exija fazer algo que honestamente você não sabe fazer. Aprenda uma habilidade nova. Comece essa atividade e planeje como você irá lidar com os problemas. Pode ser difícil no começo, mas poderá ficar mais fácil. Dessa forma, você vai assumindo mais desafios e trabalhando o seu auto-controle.

8) Não se deixe seduzir pela sorte. Não importa o quão forte se tornou o seu auto-controle muscular, é importante sempre respeitar os seus limites. Não tente agarrar dois desafios de uma vez, como parar de fumar ou fazer dieta ao mesmo tempo.

9) Foque no que você irá fazer, não no que não fará. Você quer melhorar o seu forte temperamento, por exemplo? Então planeje como você irá substituir os maus hábitos por bons. Ou seja, não foque nos hábitos ruins e sim no que você fará para substituí-los.
E lembre-se, recomenda Halvorson, você não precisa se tornar uma pessoa diferente para ser mais bem-sucedido. Não se trata de quem você é, mas do que você faz.

Fonte: Revista Época Negócios

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A hora de empreender é agora e o local é aqui, diz Ricardo Amorim

O economista acredita que o cenário econômico favorável deve minimizar o ceticismo e a desconfiança do empresário brasileiro.

Brasília - O crescimento econômico de países como Brasil, Índia e China, e a instabilidade de economias tradicionais do chamado primeiro mundo - como Estados Unidos, Japão e Europa -, colocaram o mapa mundial de cabeça para baixo. Defensor dessa teoria, o economista Ricardo Amorim reserva aos chamados países emergentes lugar de destaque no cenário global.
Palestrante do Fórum Sebrae de Conhecimento, que teve início nesta quarta-feira (16) e segue até sexta-feira (18) em Brasília, Amorim ressalta a ideia de que o mundo transformou-se mais rápido do que a capacidade humana de acompanhar essas mudanças. “Isso gera oportunidades e dificuldades”, afirmou.

Enfático sobre o bom momento da economia nacional, Amorim acredita que as micro e pequenas empresas são as que mais irão se beneficiar com esse processo. Fatores como o crescimento do consumo doméstico, acesso facilitado ao crédito, redução da pobreza e desenvolvimento das cidades do interior do país colocam os empreendimentos de menor porte em vantagem competitiva, principalmente nos setores de comércio e serviços. “Os pequenos negócios vão crescer mais do que o Brasil, que já cresce acima da média mundial”, observa.
Apresentador do programa Manhattan Connection, transmitido pelo canal GloboNews, Ricardo Amorim acredita que o cenário econômico favorável deve minimizar o ceticismo e a desconfiança do empresário brasileiro, que sofreu nas últimas décadas por conta de planos econômicos que não deram certo e do avanço da inflação. Segundo ele, “no mundo de cabeça para baixo, essa realidade não existe mais”.

Sobre o Brasil, Amorim apresenta números que colocam o país como bola da vez na economia internacional. Em 2010, revela, o Brasil respondeu por 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, contra 2,1% da década passada. “Fatores como a reserva petrolífera do pré-sal e a expansão dos biocombustíveis à base de etanol, somados à maior área agricultável do planeta, decretam: o Brasil está condenado para dar certo”, antevê.

“Há cinco anos”, continua o economista, “quem imaginaria que empresas brasileiras pudessem comprar ícones da economia mundial como os bancos Lehman Brothers e BankBoston, a cervejaria norte-americana Budweiser e a gigante da alimentação Swift?”. Em um futuro próximo, Ricardo Amorim afirma que o Brasil vai se fortalecer ainda mais. “A demanda por matéria-prima, o reverso do fluxo de talentos (brasileiros que retornam ao país e estrangeiros que desembarcam em busca de oportunidades) e a geração crescente de empregos apontam para isso”, conclui.

Fonte: Exame

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Qualidade sob medida


Entenda o que o cliente quer e entregue exatamente o prometido. Eis cinco empreendedores que estão vencendo o desafio de oferecer alta qualidade sem explodir os custos.

Na metade do ano passado, a estilista Cris Barros, de 39 anos, levou um susto. Dona da grife que leva seu nome, ela havia sido procurada para criar uma coleção de roupas femininas e infantis exclusiva para a rede de varejo Riachuelo. 

Cris, ex-modelo que deixou as passarelas há pouco mais de uma década para empreender no mundo da moda, custou a acreditar que o convite fosse mesmo para ela — como seria possível transformar suas criações, que custam em média 600 reais nas lojas da grife, em peças com preços médios 90% menores, como queria a Riachuelo?
"Num primeiro momento, achei que não dava", diz. Feitos os cálculos, Cris mudou de ideia. A coleção chegou às lojas no dia 3 de abril e, menos de 48 horas depois, algumas das peças mais procuradas já estavam em falta. Havia boas razões para tentar. No curto prazo, era um jeito de obter uma receita extra — segundo estimativas do mercado, a grife teve direito a comissões que podem variar de 1% a 5% sobre o valor de cada item da coleção.
No longo prazo, aquela poderia ser a primeira de uma série de parcerias com grandes empresas para levar a Cris Barros, que faturou algo em torno de 35 milhões de reais no ano passado, a entrar num novo ciclo de expansão, com a conquista de grandes parcelas de consumidores emergentes da nova classe média brasileira.

Três meses depois do lançamento da coleção com a Riachuelo, Cris foi chamada pela Grendene para desenhar três modelos de sandálias. Os calçados já estão sendo vendidos no Brasil e serão exportados a partir do próximo ano.
A Cris Barros está superando um dos maiores desafios da expansão de uma pequena ou média empresa — entregar produtos e serviços com a qualidade que o cliente deseja, ao preço que ele aceita pagar e sem pôr em perigo as margens do negócio. 

Para a maioria, essa é uma conta que parece não fechar. No ano passado, os empreendedores das companhias que entraram na lista das 200 pequenas e médias empresas que mais cresceram no Brasil, apontadas no estudo anual que Exame PME faz com a consultoria Deloitte, estavam preocupados com isso.
Mais de 70% deles disseram que qualidade é um pré-requisito para participar de cadeias produtivas dos setores mais promissores da economia, como o mercado de moda popular de que faz parte uma rede como a Riachuelo. Ao mesmo tempo, há que se lutar para manter os custos sob controle, ou fica impossível entregar o que foi prometido sem renunciar a uma parte importante dos lucros.  

Para a parceria com a Riachuelo sair do papel, Cris atacou o que mais pesava no custo das roupas. Primeiro, estudou uma forma de substituir o chamois e a seda, bastante utilizados em suas coleções, por tecidos mais baratos, importados da China.
"Examinei dezenas de catálogos até encontrar quem conseguisse fabricar poliéster e couro sintético com bom caimento", diz Cris. Outro cuidado foi limitar bastante a quantidade de detalhes e acabamentos feitos a mão, outra constante da grife. "As roupas seriam produzidas em grande escala nas fábricas da Riachuelo", diz Cris. "Desenhei apenas uma blusa com renda, que tem um preço mais alto e foi feita em pequena quantidade."

Desde o ano passado, a Riachuelo vem investindo em parcerias com outras grifes. "Hoje existe uma demanda de consumidores emergentes dispostos a pagar um pouco mais por roupas que levam a assinatura de estilistas famosos", diz Marcella Martins de Carvalho, diretora de marketing da Riachuelo, responsável pelas parcerias.

Já foram feitas coleções com Oskar Metsavaht, dono da Osklen, e com Pedro Lourenço, que tem uma grife com seu nome. Nos dois casos, esses estilistas, assim como Cris, tiveram de trabalhar fora de sua zona de conforto.
"Eles tiveram de entregar a qualidade máxima dentro de nossas exigências, que eram muitas", diz Marcella. "De outra forma, não seria possível viabilizar a proposta de levar design de ponta a preços acessíveis ao consumidor popular."
É chover no molhado dizer a um empreendedor que é preciso ter qualidade. Isso é básico, e dificilmente um dono comprometido com o crescimento de sua empresa não está se esforçando, e muito, para melhorar alguma coisa em seu produto ou serviço. Acontece que a grande maioria está apegada a um conceito equivocado. 

A alta qualidade não está necessariamente num produto com mais recursos ou num serviço mais sofisticado. É por isso que, com frequência, tantos empreendedores voltam para casa frustrados por não ter conseguido convencer seus clientes em potencial de que eles cobram só um pouquinho mais para entregar algo bem superior ao do concorrente. 
Pode ser que suas matérias-primas sejam as mais puras do mercado. Pode ser que seus funcionários sejam os mais bem treinados do setor. Pode ser que seus balanços sejam auditados e que todos os certificados ISO tenham sido obtidos com louvor. Mas não há jeito de traduzir tudo isso em receitas se o mercado não valorizar os atributos com os quais o empreendedor tanto se importou. 

Da porta da empresa para fora, o que é uma questão de qualidade para o dono de um pequeno ou médio negócio pode não ser tão importante assim para o cliente. "Nesses casos não é qualidade, é apenas custo", afirma Sérgio Honório, da consultoria INDG, especializada em gestão de custos e processos. "Atender à expectativa do mercado e entregar o que foi prometido é a melhor definição de qualidade que uma pequena ou média empresa pode seguir."
Nessa história toda, o bom é que, do lado dos clientes, há um bocado de gente insatisfeita — ou seja, oportunidades para pequenos e médios empresários que consigam transformar queixas em negócios. Veja, por exemplo, o que acontece num pedaço do mercado de softwares de gestão.
Pode parecer incrível, mas, mesmo com tantos provedores de soluções por aí, há quem tenha muita dificuldade em manter as informações sobre as frequentes mudanças na lei sempre atualizadas. 

"Há semanas que saem mais de dez portarias, circulares e normas novas regulamentando nossa atividade", diz Robson Pereira, supervisor de TI da seguradora paulista Cesce Brasil, especializada em vender apólices de seguros para operações de crédito. "Boa parte dos softwares que há no mercado não faz a atualização ou não é fácil de operar."

O empreendedor Mauricio Ghetler, de 51 anos, enxergou aí um problema de qualidade não atendida. Durante os muitos anos em que Ghetler trabalhou como consultor de TI para seguradoras, ele ouvia histórias de funcionários que viviam enrolados com sistemas alimentados com instruções desatualizadas.
Em 2005, ele e outros quatro consultores tomaram uma atitude empreendedora e criaram a I4Pro, de São Paulo, com a missão de desenvolver um software para acabar com aquela agonia.  

Para isso, Ghetler precisou ganhar uma profunda compreensão do tormento dos clientes. "Levei dois anos para desenvolver o sistema", diz. Ele chegou a algum lugar após seguir por esse caminho. Com apenas três anos de vida, o software de gestão da I4Pro já foi comprado por grandes seguradoras, como Bradesco e Itaú, e deve trazer neste ano um faturamento de 11 milhões de reais, 40% mais que em 2010.
O caso do dentista Mauricio Camisotti, de 47 anos, é de outra natureza. Camisotti é fundador da operadora de planos odontológicos Prodent, de Barueri, na Grande São Paulo. Em 2008, sua empresa faturava 22,6 milhões de reais por ano vendendo seus planos para grandes companhias, que os concedem como benefício aos funcionários.

Entre seus clientes estão empresas como a rede de lanchonetes Bob’s, do Rio de Janeiro, e o frigorífico Aurora, de Santa Catarina. "O problema é que está ficando cada vez mais difícil crescer nesse setor", diz Camisotti. 
Principalmente nos últimos anos, com o mercado de trabalho aquecido, um número maior de empresas tem procurado aperfeiçoar seus pacote de benefícios para aumentar as chances de não perder os melhores funcionários para os concorrentes. Por um lado, isso foi bom para a Prodent, que conquistou uma porção de clientes corporativos num período recente. 

Por outro lado, a vida de Camisotti ficou mais dura. Grandes competidores, como as operadoras de planos de saúde, passaram a vender planos odontológicos para seus clientes, o que aumenta a probabilidade de Camisotti descobrir que está batendo na porta de alguém que acabou de comprar o que ele quer vender.
Além disso, essas empresas têm dinheiro para comprar outros pequenos e médios negócios do setor — como ocorreu com a DentalPlan, operadora de planos odontológicos com atuação no Norte e Nordeste do Brasil, adquirida pela Sul América há cinco meses — e ficar ainda mais fortes do que estavam antes.

Há três anos, Camisotti analisou as estatísticas de saúde do país mais uma vez, em busca de inspiração para traçar um plano de crescimento. Os números mostravam que ainda são poucos os brasileiros que contam com um plano odontológico — apenas 8,2% da população, segundo dados da Agência Nacional de Saúde.
Uma explicação para uma taxa tão baixa é que, para a maioria das operadoras, é mais rentável negociar grandes pacotes de planos para empresas com muitos funcionários do que um plano de cada vez para pessoas físicas. Para Camisotti, isso significa que há um mercado bem maior do que ele estava acostumado a procurar, formado por profissionais autônomos, donas de casa, estudantes e empregados de micro e pequenas empresas. 

"Se eu conseguisse oferecer um plano barato, com mensalidades baixas, poderia crescer num mercado pouco atrativo para as grandes companhias", diz Camisotti. "Mas montar um plano realmente bom com essas condições, e que também fosse rentável para a Prodent, era dificílimo."
Camisotti ficou meses consultando estudos para elencar os procedimentos dentários de que as pessoas mais precisam. "Sem um número mínimo desses procedimentos, a qualidade de meus planos seria ruim", diz ele. Ao mesmo tempo, o acesso aos tratamentos não podia ser totalmente liberado, sob o risco de quebrar o negócio. 

Faz uma planilha de custos aqui, desenha um gráfico ali, Camisotti chegou ao que lhe pareceu conciliar custo e qualidade — um plano com mensalidades a partir de 18 reais com períodos variáveis de carência. Consultas de emergência estão liberadas no dia seguinte à compra do plano. Procedimentos básicos, como restaurações, podem ser feitos depois de 90 dias.
E quem quiser serviços mais caros,  como implantes, pode ter de esperar até seis meses. Os novos planos foram lançados há três anos. De lá para cá, a Prodent cresceu quase 200%, chegando a um faturamento de 67,4 milhões de reais no ano passado. "Boa parte do crescimento veio da conquista de novos clientes que compraram esse tipo de plano."

O que torna a busca pela qualidade extremamente desafiadora para pequenos e médios empresários como Camisotti é que não basta oferecer qualidade, apenas. É preciso descobrir um meio de fazê-lo em grande escala.
Existiram, existem e sempre existirão produtos feitos sob encomenda — como o alfaiate que confecciona ternos para alguém com ombros largos demais, o nutricionista que prepara um cardápio para o triatleta que precisa ganhar determinado teor de massa muscular e o músico que compõe um jingle para promover o lançamento de certo feijão preto enlatado. 

"Produzir algo que satisfaça um cliente é uma coisa", diz Marco Militelli, consultor especializado em gestão para pequenas e médias empresas. "O desafio do empreendedor é fazer algo com boa qualidade que possa ser vendido para um grande mercado." 
No clube dos que não tiveram medo do desafio está o catarinense Angelo Marin, de 35 anos. Para vencê-lo, ele teve de entender que, por trás de um cliente insatisfeito, havia um problema maior em busca de uma solução. Há alguns anos, ele tinha comprado um pedaço da sociedade da Outplan, pequena prestadora de serviços de tecnologia de São José, na Grande Florianópolis, que atendia grandes empresas e universidades. 

Não demorou muito para Marin constatar que, de forma geral, os departamentos de compra dos clientes careciam de agilidade. "Os compradores reclamavam que os softwares de compras que eles tinham de usar eram pouco práticos", diz Marin. Os compradores recebiam montes de pedidos picados, com listas de dezenas de coisas que cada departamento ou filial solicitava — canetas, material de limpeza, insumos para a produção.
Era preciso reclassificar tudo por categorias de itens para, só então, inserir as informações no soft­ware de licitações. "Eles diziam que a qualidade dos sistemas deixava a desejar", diz Marin. "Além disso, aquilo sugava energias que poderiam ser gastas em atividades mais produtivas."

Ele desenvolveu um software em que os responsáveis por cada departamento ou filial inserem seus pedidos, já separados por tipo de produto. Para cada categoria o programa reúne as solicitações e faz cotações de preços automáticas com os fornecedores cadastrados.
Os funcionários do setor de compras determinam a periodicidade das licitações, supervisionam o processo e mudam os parâmetros do sistema quando preciso. "Do jeito convencional, eu precisaria de uma equipe com o dobro de funcionários", diz Fábio Correia de Freitas, supervisor de compras da Cecrisa, fabricante catarinense de cerâmica.
Ao solucionar o problema, Marin encontrou uma vocação para a Outplan. A empresa se especializou em produzir softwares de compras online e passou a crescer 15% ao ano — em 2010, suas receitas foram de 1,5 milhão de reais. 
É bom que se diga que, uma vez encontrado o caminho das pedras — como aconteceu com Cris Barros, Camisotti, Ghetler e Marin —, a pior coisa a ser feita por um empreendedor é conformar-se com a qualidade alcançada.
"O mercado hoje em dia é muito dinâmico, e o que satisfaz o cliente hoje pode ser insuficiente para atendê-lo amanhã", diz Honório, do INDG. "É necessário um monitoramento permanente do nível de satisfação, senão a empresa pode ficar rapidamente para trás e perder espaço no mercado."

Está aí uma coisa que o engenheiro Osvaldo Lucho, de 45 anos, fundador da Gigalink, provedor de internet de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, não quer. A empresa foi fundada em 2003. Na época, ele era dono de uma pequena revenda de computadores e prestava serviços como montagem de redes e manutenção de servidores.
Lucho cansou de ouvir seus clientes reclamando da falta de opções de acesso à internet de banda larga na região, formada por pequenos municípios. "As grandes companhias do setor não tinham muito interesse em atender esses lugares", diz. 

Ele então teve a ideia de montar uma empresa para vender acesso à internet em velocidades mais altas do que as conexões discadas disponíveis nesses locais — embora não tão velozes quanto as que já estavam disponíveis para os consumidores das grandes cidades. "Não era possível para uma empresa do tamanho da Gigalink ter escala suficiente para oferecer preço acessível para velocidades maiores", afirma Lucho.

A Gigalink começou vendendo acesso à internet com velocidade de 300 KB, cerca de seis vezes mais do que a internet discada. "Muitos de meus primeiros clientes precisavam apenas receber e enviar e-mails", diz Lucho. Conforme cresceu, a Gigalink, aos poucos, foi instalando conexões mais velozes.
Lucho conseguiu, então, negociar preços menores com os fornecedores — e começou a repassar a redução de custos aos clientes. Em média, a cada 18 meses os clientes da Gigalink recebem um e-mail informando que a velocidade no acesso aumentou e que eles não precisam pagar mais por causa disso. 
O carioca José Carlos de Paula é um dos assinantes que, de tempos em tempos, recebem um desses avisos. Desde que contratou os serviços da Gigalink, há seis anos, a velocidade da internet na sua casa já aumentou cinco vezes e hoje está em 1,5 MB. 

Os principais beneficiados são a filha, de 21 anos, e o filho, de 18. No começo, os dois acessavam a rede para ler e enviar e-mails e visitar um ou outro site. "Hoje em dia, eles assistem a vídeos, baixam músicas, participam de jogos online e entram em redes sociais, como o Twitter e o Facebook", diz Paula. "Estou vendo que não vai demorar muito para a banda larga atual ficar estreita de novo."

Fonte: Revista Exame