terça-feira, 13 de dezembro de 2011

SP: centro de distribuição terá facilidade para atuar como substituto tributário

SÃO PAULO - Os centros de distribuição de redes de varejo serão beneficiados com um regime especial para atuarem como substitutos tributários na saída de mercadorias de estabelecimentos localizados em São Paulo. A medida foi divulgada nesta segunda-feira (12) pela Secretaria da Fazenda do Estado e faz parte de um decreto assinado pelo governador Geraldo Alckmin.

De acordo com o documento, serão eliminadas do ressarcimento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) as operações de distribuição de produtos em regime de substituição tributária, relativas ao imposto retido antecipadamente.

“A indústria poderá fornecer produtos sujeitos à substituição tributária sem a retenção do imposto às redes de varejo que aderirem ao regime especial. Com a transferência da condição de substituto tributário ao centro de distribuição, ele passará a recolher o imposto de suas operações e das etapas subsequentes”, explica a Secretaria da Fazenda.

Regime especial

Segundo o governo, o regime especial poderá ser solicitado apenas pelos centros de distribuição que realizarem, de forma exclusiva, a remessa de mercadorias para estabelecimentos varejistas do mesmo grupo empresarial – e isso, obedecendo as condições previstas no decreto.

“Ao fornecer produtos a um distribuidor que aderir ao regime especial, a indústria recolherá apenas seu imposto e ficará desobrigada de reter e recolher o ICMS das operações seguintes”, explica a secretaria.

Em outras palavras, isso significa que o centro de distribuição ficará dispensado de recolher o imposto referente à entrada de mercadorias sujeita ao regime de substituição tributária procedente de outro Estado.

Além disso, ao receber o produto de contribuinte substituído, o centro poderá se creditar da parcela do tributo devido a São Paulo, que é retido antecipadamente.

“A medida beneficiará as redes varejistas que mantiverem centros de distribuição cujos produtos forem adquiridos com imposto retido por substituição tributária – estes, fornecidos por empresas de São Paulo e de vários Estados”, informa a secretaria.

Incentivos

Além do decreto sobre a substituição tributária, um outro que estende os incentivos para três setores produtivos também foi assinado nesta segunda pelo governador de São Paulo.

De acordo com a Secretaria da Fazenda, o artigo 29 das Disposições Transitórias do Regulamento do ICMS será alterado e os incentivos para investimentos produtivos na indústria aeronáutica estendido.
“O mesmo se dará para os incentivos de geração de energia de origem térmica a partir de gás e de produção de amidos e féculas vegetais que também serão estendidos”, explica a secretaria.

Fonte: Infomoney

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Declaração de IR de empresa acaba até 2014

O governo decidiu acabar até 2014 com a principal declaração entregue hoje pelas empresas ao fisco, a do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, informou Lorenna Rodrigues em reportagem na Folha.
Para atender a ordem de racionalizar o sistema tributário brasileiro, dada pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso de posse, a Receita Federal também vai extinguir mais sete documentos e adotar medidas para simplificar o PIS/Cofins. 

Em entrevista à Folha, o secretário da Receita, Carlos Barreto, disse que várias declarações não são mais necessárias porque o órgão já dispõe das mesmas informações por meio sistemas eletrônicos, notas fiscais eletrônicas e do Sped (Sistema Público de Escrituração Digital). 

"Não justifica mais a gente exigir do contribuinte uma declaração sobre algo que já temos", afirmou. A mudança pode ser feita apenas com uma instrução normativa. Segundo Barreto, nas próximas semanas, a Receita dará início à faxina com o fim da DIF-Bebidas, que traz informações sobre a produção de cervejas e refrigerantes. 

Mudança - Governo quer acabar com declarações tributárias entregues pelas empresas

1. O que são?
O alvo do governo são as declarações chamadas de "obrigações acessórias", que dão informações sobre impostos já recolhidos

2. Quantas existem?
São cerca de 100 declarações, entre elas a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, a Demonstrações de Apuração de Contribuições Sociais e a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte.

3. Quais serão extintas?
Ainda neste ano, a Receita acabará com a Declaração de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas. A longo prazo o governo pretende excluir mais 7 declarações.

4. Qual o custo para as empresas?
Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), as empresas gastam 1,5% do faturamento com obrigações acessórias em geral.

Fonte: Folha.com

Impostos federais poderão ser pagos com cartão de crédito em 2012

Os contribuintes poderão pagar todos os impostos federais com cartão de crédito ou de débito a partir do ano que vem. O Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) começará a ser impresso com código de barras para permitir essa forma de pagamento, informou a Receita Federal neste sábado.

Hoje, o contribuinte, depois de fazer a declaração e verificar se tem algum imposto a pagar, precisa imprimir o Darf para pagar a dívida. Também pode autorizar o débito em conta quando preenche a declaração.

Com a mudança, o documento poderá ser pago em qualquer caixa eletrônico que possua leitor de códigos de barras, como postos de gasolina ou supermercados. A operação estará disponível também para o contribuinte pagar as cotas do Imposto de Renda devido. 

Em 2011, um total de 24,37 milhões de contribuintes enviaram a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física ao Fisco. O número superou a estimativa da Receita Federal, que esperava receber 24 milhões de formulários.

Fonte: Folha.com

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O que se exige dos novos líderes

Os bons livros de gestão e escritos por CEOs bem-sucedidos geralmente relacionam todas as qualidades que o líder deve ter para administrar com sucesso as corporações. A lista das características, algumas óbvias e ditadas pelo bom senso, e outras nem tanto, vem crescendo na medida em que o universo corporativo se transforma, pressionado pela necessidade de globalização das empresas. Há décadas, pouco mais se exigia de um CEO do que inteligência, habilidade com os negócios e conhecimento do ramo. O mundo, no entanto, tornou-se mais complexo e as empresas querem verdadeiros líderes, e não mais aquele “chefe” do passado que ficava dando ordens atrás de uma escrivaninha.

A globalização, por exemplo, impôs que o executivo tenha uma visão mais ampla do negócio, do mercado e do próprio mundo. Antes, bastava que operasse na esfera do conhecido – ou seja, dominasse as operações e atividades que se realizavam dentro dos muros de sua fábrica e de seu escritório. Hoje, os líderes devem ter também a capacidade para trabalhar com o desconhecido, com as ambigüidades, fora da área de conforto. 

A atuação global também aumentou os riscos, em todos os aspectos. As empresas lidam com diferentes legislações, economias e culturas, o que exige do líder conhecimento das diversas realidades e, sobretudo, flexibilidade para adaptar-se à diversidade. Nesse particular, a capacidade de comunicação tornou-se uma qualidade imprescindível aos executivos. 

Nas empresas insulares do passado, com diversos níveis hierárquicos, havia uma grande distância entre os líderes e os stakeholders, como empregados, fornecedores e clientes. Esses públicos estratégicos ganharam mais força e poder na sociedade moderna, o que obrigou as corporações a ampliar e fortalecer os canais de comunicação e colocar seus líderes na linha de frente. 

Um dos exemplos mais visíveis e curiosos no caso brasileiro foi a ação que a Ford do Brasil empreendeu para reconquistar os clientes usando o então presidente da montadora Antônio Maciel Neto, como garoto propaganda de seus carros. É comum, por exemplo, o CEO fazer road shows para ganhar ou fortalecer a confiança dos acionistas. Tão logo assumiu a presidência do Santander no Brasil, o colombiano Gabriel Jaramillo fez um tour pelas agências do banco para olhar os empregados nos olhos e comprometê-los com os objetivos da instituição, que acabava de comprar o Banespa. Vale lembrar também o exemplo do saudoso comandante Rolim, que costumava recolher os cartões de embarque e cumprimentar pessoalmente os passageiros da TAM. Nos principais lançamentos de produtos, Steve Jobs, da Apple, e Bill Gates, da Microsoft, atuam como verdadeiros showmen para seduzir os consumidores.

Esses e muitos outros casos, mais do que ações de marketing, mostram que os líderes devem suar a camisa e gastar a sola do sapato para se comunicar com seus stakeholders. O executivo não pode ser mais aquele chefe enclausurado no bunker da empresa disparando ordens por e-mails.

A globalização impôs novas exigências para os líderes de empresas globais, além do conhecimento de gestão, da capacidade de inovar, de se adaptar de forma rápida e eficiente à nova realidade e de prever cenários e o futuro. Outro grande desafio é trabalhar com times de diversos países, multiculturais, e criar relacionamentos e alianças estratégicas ao redor do mundo que ajudem a desenvolver os negócios. 

Fonte: Canal Executivo, por Marcelo Mariaca

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

“Pioneirismo pode matar”, afirma Jim Collins


Em seu novo livro, Jim Collins, autor de Feitas para Durar explica por que algumas companhias triunfam em meio ao caos – e derruba o mito de que a inovação é a garantia do sucesso de qualquer companhia

Jim Collins: “Você prefere ter um chefe legal e um trabalho medíocre ou trabalhar para alguém exigente e participar de algo que fará história?”

Há 90 anos duas equipes de desbravadores partiram em expedições rumo ao então inexplorado Polo Sul. Uma delas era liderada pelo norueguês Roald Amundsen, na época com 39 anos. A outra, pelo britânico Robert Scott, com 43. Amundsen era obstinado e detalhista.
Sua preparação para a viagem foi exaustiva. O vaidoso e já célebre Scott era um improvisador. Amundsen venceu a neve, a baixa temperatura e um longo trajeto desconhecido até chegar ao destino final — voltando, depois, ao ponto de partida com sua equipe intacta. Scott e seu grupo tiveram um destino trágico.
Alcançaram o Polo Sul 34 dias depois dos noruegueses e jamais retornaram — os cinco integrantes morreram no caminho de volta. Por que uma das expedições triunfou e outra foi devastada se ambas encararam as mesmas adversidades? 

Para o americano Jim Collins, autor dos clássicos Feitas para Durar e Feitas para Vencer e considerado hoje o mais influente pensador do mundo dos negócios, a resposta para essa questão explica não apenas o sucesso de Amundsen e o fracasso de Scott.
No recém-lançado Great by Choice (com publicação no Brasil prevista para março de 2012 pela HSM), Collins se vale da história dos exploradores para explicar o desempenho excepcional de sete companhias abertas, americanas, que atuavam em mercados turbulentos ou altamente imprevisíveis no período de 1971 a 2002 e que deixaram as concorrentes para trás.
Essas companhias — Intel e Southwest Airlines entre elas — foram batizadas de 10X, por ter apresentado um resultado pelo menos dez vezes melhor que a média do mercado em que atuavam. De seu “laboratório”, um pequeno escritório instalado na cidade de Boulder, com vista para as montanhas do Colorado, Collins concedeu a seguinte entrevista exclusiva a EXAME.

EXAME - Caos e imprevisibilidade são fatores que sempre afetaram o mundo dos negócios. Por que estudá-los somente agora?

Essa pergunta sempre esteve na minha cabeça, mas eu não conseguiria ter feito esse livro sem antes ter passado pelos outros dois (Feitas para Vencer e Feitas para Durar). Além disso, nos Estados Unidos, essa questão nunca foi tão premente.
Nós, americanos, sempre vivemos num ambiente relativamente estável. Mas caos e incertezas deverão ser a regra daqui para a frente, e precisamos aprender a lidar com isso.

EXAME - Seu livro traz a ideia de que as empresas excepcionais são extremamente disciplinadas, buscando a consistência em vez de grandes tacadas pontuais. Há algo de entediante nessas companhias?

(Risos.) Em algum grau, sim. Para fazer algo grandioso — uma empresa, um produto, uma pintura, uma sinfonia — é preciso se dedicar à execução, à repetição exaustiva, até que se chegue a um resultado final excelente.
Empresas como Apple e Intel se dedicam de maneira fanática a desenvolver bons produtos. É preciso decidir se sua criatividade será produtiva. Se a escolha for sim, há um pedágio a pagar. É necessário um tremendo esforço.

EXAME -  Isso quer dizer que a inovação é algo superestimado?

O que descobrimos é que ser mais e mais inovador não leva a grandes resultados e pode até matar. Inovação é muito bom, é algo de que a economia e a sociedade precisam, mas ela sozinha pode ser fatal.
É preciso um nível mínimo de inovação em qualquer indústria. Em casos como biotecnologia, por exemplo, essa barra é muito alta; em companhias aéreas, não é preciso tanto para estar no jogo. Uma vez que a empresa segue o ritmo de inovação de seu setor, o que vai realmente fazer a diferença é uma combinação de disciplina e criatividade.

EXAME - Mas não há um prêmio em ser pioneiro?

Citamos no livro um estudo feito por outros pesquisadores com 66 mercados diferentes — de fabricantes de chiclete a empresas de internet. Apenas 9% das companhias pioneiras se tornaram líderes desses mercados. A parte mais assustadora é que 64% das pioneiras simplesmente sumiram do mapa.
Um caso interessante é o da Southwest Airlines. As pessoas tendem a achar que os pioneiros vencem. Como a Southwest venceu, logo ela deve ser inovadora. Só que ela não inovou em nada!
A Southwest copiou tudo da PSA, a verdadeira inovadora, que atuava na Califórnia. Ser criativo não é difícil. Esse é nosso estado natural. O que nós não somos, necessariamente, é disciplinados. Combinar as duas coisas não é tão sexy assim. 

EXAME -  Que outros mitos o livro derruba?

Vários. Um dos que eu achei mais interessante diz respeito à velocidade de ação das empresas vencedoras. À primeira vista, pode parecer que, num mundo rápido, reagir na mesma velocidade é a melhor saída.
Mas, quando analisamos 115 eventos que alteraram rapidamente o ambiente em que estavam as companhias analisadas, percebemos que as com melhores resultados não foram aquelas que reagiram primeiro a essas transformações.
Quem se deu melhor normalmente fez as seguintes perguntas: Quanto tempo temos para tomar uma decisão? De que informações dispomos? Só então elas partiam para a ação. A psicologia social nos mostra que a maioria das pessoas, quando em dúvida, tende a agir como aquelas que estão a seu redor.
Elas simplesmente olham para o lado e fazem o que os outros estão fazendo. Os líderes das empresas vencedoras, não. Eles fazem análises profundas, avaliam experiências anteriores e basicamente não ligam para o que os outros dizem.
Essas empresas só pisam fundo no acelerador quando é realmente necessário. Foi o que a Intel fez quando se sentiu ameaçada por um novo microprocessador da Motorola anos atrás.
A Intel destacou uma equipe de seis executivos para analisar profundamente a situação e em uma semana um plano de recuperação foi colocado em prática. A habilidade de se distanciar do problema, refletir sobre ele e só depois partir para a ação é uma característica pouco americana.

EXAME - Como fazer planejamento de longo prazo num ambiente caótico?

É quase impossível fazer planos, mas é possível se preparar. Não achamos nenhuma evidência de que as empresas que se deram melhor conseguiram prever o futuro. Mas elas tinham estratégias de contingência para o inesperado. Eram financeiramente conservadoras e sempre tinham mais dinheiro em caixa que as concorrentes.
Essas empresas também fazem o que chamo de “marcha das 20 milhas”: elas se comprometem a manter determinado ritmo e o seguem fielmente. Veja o caso da South­west Airlines, que tem entre seus compromissos ser lucrativa todos os anos, algo muito difícil no setor de aviação civil.
Em 1996, a Southwest estava em 100 cidades, tudo corria bem e sua expansão estava sendo planejada. Seus executivos então se perguntaram quantas novas cidades eles poderiam atender sem colocar em risco a estratégia das 20 milhas. Decidiram que seriam apenas quatro, embora tivessem condições de inaugurar oito ou 12 novos mercados.
Acharam que a aceleração poderia deixá-los vulneráveis. Bem, todos nós sabemos o que aconteceu em setembro de 2001. Todas as companhias aéreas americanas foram profundamente abaladas — menos a Southwest. Ela não tinha como prever o que aconteceria, mas estava preparada para o pior.

EXAME - Os líderes das empresas destacados no livro são obcecados, paranoicos e eternamente insatisfeitos. Trabalhar com eles não deve ser nada agradável...

Você prefere ter um chefe legal e um trabalho medíocre ou trabalhar para alguém exigente e participar de algo que faz história? Cito no livro o diretor David Breshears, que fez o primeiro filme sobre o Everest em versão Imax. Eu o conheço há muitos anos e ele definitivamente não é um sujeito “relax”.
Mas, quando ele monta seu time para filmar, consegue as melhores pessoas. Por quê? Primeiro, porque os membros de seu time sabem que ele fará o melhor filme possível, e eles querem fazer parte de um grande projeto. Bill Gates é o mesmo caso. Ele não é o sujeito mais caloroso e engraçado do mundo, mas sempre acreditou num grande projeto: a Microsoft.
A vaidade desses líderes está relacionada ao projeto que conduzem, não a eles próprios. A segunda razão é: para enfrentar um ambiente hostil, com quem você gostaria de estar?
Com alguém que realmente entende a montanha, como Breshears, e sabe sobreviver ali, mesmo que tenha de tomar decisões difíceis, ou com um cara boa praça que diga: “Olha pessoal, a gente vai se divertir aqui em cima, teremos várias festas, uma mesa de pingue-pongue...” O que você quer é voltar da expedição ao Everest vivo! 

EXAME - Mas, apesar de toda preparação, esses líderes cometem erros. Como eles lidam com essas situações?

Uma das coisas que eu pessoalmente tirei desse estudo é que você pode cometer erros e, desde que não chegue à linha de morte, pode voltar e se dar bem. Foi o que a Progressive Insurances fez quando entrou no mercado de seguros para caminhões (antes, só fazia seguros de automóveis).
Ao perceber a bobagem, a empresa parou tudo, analisou o que deu errado e o próprio presidente assumiu a responsabilidade. O que esses executivos não fazem é repetir o mesmo tipo de erro.

EXAME - As empresas vencedoras pagam melhor seus executivos?

Não, às vezes até menos. O presidente da Biomet, Dane Miller, por exemplo, tinha uma das piores remunerações do setor e ele não estava nem aí. Para os líderes que aparecem no livro, dinheiro nunca foi o principal. É claro que eles tinham a preocupação de ter uma segurança financeira, mas não acordavam de manhã pensando em como iriam ganhar mais dinheiro.

EXAME - Segurar o crescimento hoje para não colocar o amanhã em risco é algo que nem sempre o mercado de ações entende. Como lidar com essa pressão?

O livro traz a história de Peter Lewis, presidente da Progressive Insurance, que não queria participar do jogo de Wall Street ao dar projeções de resultados trimestrais. Com isso, os analistas tinham dificuldade de fazer suas próprias previsões e frequentemente erravam, fazendo com que as ações da empresa oscilassem muito.
Lewis, então, teve a ideia de divulgar resultados mensais — em vez de trimestrais — e, desse modo, os analistas tiveram como fazer previsões mais certeiras. Ele não abriu mão de suas crenças, achou uma saída.
Empresas como Southwest e Microsoft, que seguraram seu crescimento deliberadamente em algum momento, acreditavam que a consistência de seus resultados atrairia os investidores. Você simplesmente tem de ignorar a pressão do curto prazo. Essa é uma escolha que os líderes das grandes empresas fizeram.

EXAME - Na sua opinião, quais são as três características fundamentais numa empresa vencedora?

As empresas vencedoras valorizam as pessoas. Bill Gates dizia que, se tirassem seus 20 melhores profissionais, a Microsoft não seria nada. Isso não significa que essas empresas são boazinhas ou complacentes com seus talentos, mas elas sempre enxergam e reconhecem o que eles estão fazendo.
Além disso, as grandes companhias acreditam que o sucesso é algo que se conquista dia a dia. Para elas, ter sido bem-sucedidas no passado não garante o futuro. Elas são paranoicas — sempre acham que, em algum momento, tudo pode dar errado. Finalmente, elas pensam no longo prazo. Suas decisões são voltadas para o futuro, e não para o trimestre seguinte.

EXAME - Há alguma grande surpresa entre as sete empresas excepcionais selecionadas em sua pesquisa?

Eu nunca teria imaginado que o melhor desempenho na bolsa de valores no período analisado seria o de uma companhia aérea, a Southwest Airlines, fundada por um sujeito excêntrico, Herb Kelleher, e que atua no setor muito difícil. Também nunca tinha ouvido falar da Stryker (empresa americana de serviços médicos).

EXAME - Depois de décadas estudando empresas vitoriosas, qual delas é a sua favorita?

Preciso reforçar que estudo algumas eras dessas empresas. Claro que elas podem ter um período brilhante e depois despencar, mas nos períodos de tempo analisados elas eram as melhores. E, se elas derraparem no futuro, isso não vai apagar seu sucesso no passado.
Dito isso, há muitos competidores interessantes nesse jogo, mas eu diria que nos 30 anos entre sua fundação e 2002, quando a pesquisa foi finalizada, o destaque foi a Southwest Airlines. O que eles fizeram foi fenomenal. E eles sempre conseguiram aliar duas coisas importantes: vencer e cuidar de seu pessoal.

EXAME - Recentemente, os americanos passaram a ir às ruas para protestar contra o mercado financeiro e também contra as grandes companhias. As empresas terão de mudar seu jeito de fazer negócios no futuro?

Primeiro, Wall Street e as empresas são espécies diferentes — e eu acho que a maioria das pessoas não percebe isso. Não é como se estivéssemos falando de tigres e leopardos. É como comparar elefantes e chimpanzés. Na minha opinião, as empresas precisam urgentemente mostrar para a sociedade essa diferença.
Precisam mostrar que geram valor, geram empregos, novos produtos, movimentam a economia — e que isso é diferente de simplesmente lidar com dinheiro.

EXAME - Anos atrás, o senhor afirmou que considerava Steve Jobs o Beethoven do mundo dos negócios. Alguém poderá substituí-lo?

Alguém pode substituir Beethoven? Existem muitos grandes compositores, mas só um Beethoven. No mundo dos negócios, haverá outros grandes empresários, mas não haverá mais nenhum Steve Jobs. O que ele fez no final da vida foi notável. Seu objetivo era que seu melhor produto fosse a própria Apple. Somente Walt Disney fez algo parecido.

EXAME - Sua trilogia revelou quais são as grandes empresas americanas vencedoras e como elas chegaram lá. Sobre o que será seu próximo livro? Não há mais o que dizer sobre esse assunto, certo?

Não. Acabou. Passaram-se quase 30 anos desde que comecei a pensar nessas questões. Quando acabei de gravar a última versão do livro, no dia 28 de abril, às 19h27, sabia que era o fim. Não vou parar de criar, mas esse ciclo foi encerrado. Não sei ainda qual será a próxima questão a que vou me dedicar, mas tenho algumas ideias.
Acabei de aceitar uma oferta da academia militar de West Point. Nos próximos anos, irei lá oito vezes para dar aulas a cadetes de 18 a 22 anos de idade, gente que estará, em pouco tempo, liderando coisas importantes em várias partes do mundo.
Também me interesso por companhias que estão ganhando corpo em outros lugares do planeta — no Brasil, na China, na Índia, na Coreia. Entre todas as coisas em que eu posso usar minha energia, onde eu faria mais diferença? Ainda não sei a resposta.

Fonte: Revista Exame, por Cristiane Correa, Boulder, Colorado

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mãe, esposa, dona de casa e profissional de sucesso

Conheça os segredos da excelência da gestão feminina, que faz com que as mulheres tenham grandes realizações na carreira e na vida profissional.

De acordo com pesquisa do IBGE, realizada em 2009 em Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, 61,2% das mulheres economicamente ativas tinham 11 anos ou mais de estudo perante aos homens, cujo percentual era de 53,2%. A pesquisa apontou ainda que a parcela de mulheres empregadas com carteira assinada, com escolaridade de nível superior completo, era de 19,6% e os homens de 14,2%. Outro estudo realizado pelo mesmo instituto mostrou que do ano 2000 à 2010, o número de mulheres responsáveis pelos domicílios brasileiros aumentou de 18,1% para 24,9%.

Novos perfis 
 
Hoje, encontramos mulheres desempenhando excelentes funções em grandes organizações no mundo dos negócios, no mercado financeiro ou à frente da sua própria empresa, sem deixar seu lado feminino de lado. Simultaneamente, essas mesmas conseguem driblar os desafios do dia a dia e, em paralelo às suas atividades profissionais, conseguem cuidar de si, da família e tempo para se manter em constante desenvolvimento.

De professora à empresária
 
É o caso da Maria Rosa Evangelista Sciubba, que há 16 anos é uma das principais franqueadas do CNA - curso de idiomas - fora da cidade de São Paulo. Ela nos conta que ministrava aulas de Educação Física em uma instituição de ensino que oferece cursos que vão do ensino fundamental ao universitário, até que seu marido lhe trouxe a ideia de montar uma escola de idiomas em Ribeirão Preto. "Por ele me conhecer bem e saber do trabalho que eu desenvolvia na escola em que trabalhava, me apoiou na montagem do novo negócio. Não foi fácil abandonar minhas atividades, a estabilidade e a segurança que tinha para me atirar em um universo relativamente novo para mim, mesmo porque nosso orçamento familiar era justo e ainda tínhamos uma filha pequena, de três anos. Nesse projeto não teríamos espaço para erros. Ainda assim, aceitei o desafio. Não abandonei completamente meu trabalho nos primeiros anos, pois precisávamos do aporte financeiro para ajudar a compor nosso orçamento; segundo, porque como funcionária da escola, eu tinha bolsa de estudos para o curso de pedagogia, o que seria importante para o momento que eu estava vivendo. Não perdi a oportunidade, lecionava algumas manhãs, cuidava de nosso novo negócio pela tarde e à noite, estudava. Este foi um dos meus grandes desafios: saber me organizar no turbilhão em que eu vivia e que cada minuto era muito importante. Mas o que nunca me faltou foi determinação, vontade de aprender e otimismo", relembra a empresária.

Segundo Rosinha, como é conhecida na cidade, essa capacidade de organização da mulher que a leva a conciliar os estudos, a vida pessoal e profissional, deve ser um exercício diário e que todas devem conseguir vencer. "O desafio de administrar meu tempo é um exercício diário até hoje, que sou mais experiente. Não existe receita pronta, mas acredito que o bom senso, a organização e a intuição determinam a divisão de tarefas e o equilíbrio dos meus dias. Além disso, minha agenda é bem planejada, embora, às vezes, seja necessário mudar de rota no meio do caminho. Mas o mais importante, para mim, é estar inteira em cada ação, em cada projeto, seja ele familiar, profissional ou pessoal", avalia.

Para ela, são vários os fatores que influenciam o sucesso de um negócio, que vão desde a escolha do segmento até (e principalmente) a gestão da equipe, "mas, sem dúvida alguma, a sensibilidade, a flexibilidade e o 'saber ouvir' feminino mudam o curso de uma empresa; e isso não significa ser permissiva ou tolerante demais. Tenho certeza que minha equipe é engajada porque me preocupo com cada um como me preocupo com um amigo, sem deixar de cobrar a competência e o profissionalismo de quem trabalha comigo", ressalta e finaliza. "Quando conheci o CNA, consegui enxergar um futuro sólido, mesmo sabendo de todos os percalços que passaríamos e batalhei muito junto com a minha equipe para que tudo desse certo, sem muitos deslumbres, mas nunca deixando de sonhar. Assim como no slogan que acompanha a Rede, hoje temos que ser apaixonados pelo sucesso, no sentido mais amplo da palavra."

De operadora de caixa à gerente de vendas
 
Após um ano de ter sido contratada para a função de operadora de caixa da Unifar Drogaria, Cristiani Celuta, hoje gerente de vendas, teve a oportunidade de trabalhar como balconista. Daí em diante buscou aprender e a entender como funcionava as demais áreas da empresa. De acordo com ela, seu objetivo era crescer profissionalmente, uma vez que tinha como meta fazer um curso superior e, para isso, precisaria de uma remuneração melhor. "Apareceu, então, uma vaga para trabalhar como auxiliar administrativo na filial e um dos requisitos para preenchimento era ter conhecimento geral da empresa. Assumi a função e pouco tempo depois fui promovida à gerente de loja. Após cinco anos, voltei para a matriz para assumir a gerência de vendas da Unifar Drogaria", orgulha-se Cristiani. Assim como Rosinha, Cristiani também se viu diante de grandes desafios. "Lembro que, para conseguir a vaga de balconista da Drogaria Unifar, era necessário ter o curso de digitação uma vez que a drogaria é totalmente informatizada. Como não possuía, mas estava determinada a conseguir a vaga, falei com a minha supervisora que não encontraria dificuldades para digitar, mesmo não possuindo o curso. Como na época não tinha computador em casa, consegui um teclado e treinava horas para aprender. Sempre que atendia a um cliente novo eu tinha que fazer um cadastro o que exigia muita digitação, eu informava que era o meu primeiro dia, os clientes sempre compreendiam e demonstravam muita paciência."
Cristiane relembra que, além de vencer sua falta de conhecimento em digitação, tinha outro obstáculo. "O cansaço de trabalhar o dia todo com certeza foi outro desafio. Eu levantava muito cedo e chegava em casa muito tarde por causa da faculdade. Muitas vezes não conseguia me concentrar na sala de aula, além disso, não é fácil encontrar o ponto de equilíbrio entre o trabalho, estudos e a vida pessoal. Em alguns momentos essas atividades se confundem é e difícil priorizar, uma vez que todas são prioridades. Mas entendo que para vencer os desafios é preciso ter foco, determinação e saber que somos passíveis de falhas e que elas nos ensinam a acertar na próxima vez", dá a dica.

A gerente destaca ainda o fato de, em alguns momentos, as mulheres serem mais inseguras nas tomadas de decisões e de se envolverem emocionalmente com as situações. "Os homens conseguem se impor melhor sem envolver sentimentos. No entanto, a sensibilidade feminina é, com certeza, um dos grandes diferenciais da mulher no mercado de trabalho. Estamos atentas aos detalhes, valorizamos muito os relacionamentos e temos um grande senso de justiça, não precisamos buscar igualdade de gêneros e sim exercer com competência nosso trabalho, valorizando nossos diferenciais, e tudo isso faz a diferença em nossa gestão", conclui.

As mulheres no mercado financeiro
 
Após investirem mais na carreira e conquistarem definitivamente o mercado de trabalho, as mulheres estão cada vez mais presentes no mercado financeiro e investindo na bolsa de valores tanto quanto os homens. De acordo com dados da BM&FBovespa, atualmente as mulheres já representam quase 25% de CPFs cadastrados. "Desde 2002 começamos a perceber um significativo aumento na participação feminina na Bolsa de Valores", afirma a economista e porta voz da Lerosa Investimentos, Alexandra Almawi. 

De acordo com ela, a mulher quando decide investir é bem mais cautelosa que o homem e busca informação, além de ser mais aberta a ouvir muito mais do que os homens. "Isso faz com que sua assertividade seja maior. Seu perfil também tende a ser mais conservador, porém, hoje vemos muitas mulheres que, munidas de conhecimento, se arriscam em mercados mais agressivos. Ao contrário do que se imagina, as mulheres são tão racionais quanto os homens na hora de investir. A diferença é que a equação feminina é mais sofisticada. Elas não olham apenas a rentabilidade das companhias em que investem, quando as escolhem, tornam-se realmente sócias da empresa, buscam informações e estudam o assunto antes de qualquer decisão", acrescenta.

A opinião da especialista

De acordo com a psicóloga Teresa Gama, a mulher tem maior facilidade para lidar com várias coisas ao mesmo tempo, possui uma qualidade de atenção que lhe permite manter vários assuntos no seu "radar" e, por isso, consegue conciliar melhor sua vida profissional com a responsabilidade pela casa, família e educação dos filhos, por exemplo; embora tais tarefas estejam mais atribuídas aos homens, que tendem a ser mais focados em um aspecto de cada vez, enquanto que a mulher atua com múltiplas tarefas.

Além disso, segundo a psicóloga, a gestão feminina contribui muito para o mercado com as características que lhe são peculiares tais como sensibilidade, intuição, flexibilidade, percepção do outro e habilidade no relacionamento. "Uma das questões muito importantes da liderança é o relacionamento com a equipe, pares, clientes, enfim, com todas as pessoas com quem se convive no dia a dia profissional e, como tem maior sensibilidade para o relacionamento e a forma como ela se comunica, envolvendo não só a razão como também a emoção, pode contribuir de maneira positiva nesse sentido", constata. 

Ainda na opinião da especialista, existem ramos de negócios que são melhores administrados por mulheres. "Em termos de segmento de trabalho, a área de serviços tem maior concentração de mulheres. Além disso, outras áreas em que as habilidades de inclusão e relacionamento são solicitadas, são segmentos nos quais a mulher pode dar uma grande contribuição. Hoje, elas passaram a desenvolver 'seu lado masculino' ao longo do tempo e não recuam diante de situações antes denominadas tipicamente para eles, como por exemplo, enfrentar situações de maior risco. Fazendo uma analogia, nos primórdios, os homens saiam para caçar e as mulheres ficam cuidando dos filhos e da comunidade. Hoje elas estão saindo para caçar também e têm desenvolvido as habilidades para isso", reforça e deixa o legado final. "Tomando por base a teoria da psicologia analítica, o importante é que cada profissional, homem ou mulher, perceba se está conseguindo equilibrar em sua vida tanto as habilidades do mundo feminino como a sensibilidade, por exemplo, como as do mundo masculino, como a objetividade. É lógico que um não vai se transformar no outro, mas pode atingir um equilíbrio maior, o que só beneficiará a convivência e a vida de todos de maneira geral, tanto pessoalmente como profissionalmente."

Teresa Gama é diretora da Projeto RH, psicóloga e possui curso de especialização em Coaching pelo ICC (International Coaching Community).

Fonte: Revista Gestão & Negócios