sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Melhor e Mais Barato


Ao aplicar critérios sociais e ambientais na escolha de seus fornecedores, a Natura concilia sustentabilidade e custos mais baixos.

São Paulo - Preço costuma ser o mais delicado dos temas que envolvem a relação entre clientes e fornecedores. Quem compra procura gastar menos. Quem vende, ganhar mais. Chegar ao ponto de equilíbrio foi a essência dessa negociação até que outros aspectos — a sustentabilidade, entre eles — passaram a ser colocados na mesa.

Analise o caso da Natura, maior fabricante de cosméticos do país­. Desde janeiro deste ano, antes de fechar qualquer compra, seus executivos passaram a avaliar o fornecedor de acordo com sete indicadores socioambientais, como consumo de água, emissão de carbono e índice de acidentes.

O novo processo começou com a análise de 60 fornecedores de produtos — 50 antigos e dez novatos — que produzem sabonetes e embalagens e respondem por encomendas de 1,2 bilhão de reais por ano.

Em julho, após seis meses de análise, os contratos foram fechados, com o compromisso dos fornecedores de melhorar seus índices anualmente, de acordo com metas individuais acordadas entre as partes.

O resultado já é visível: uma redução de custos de 101 milhões de reais para a Natura e um avanço de 4% dos indicadores socioambientais dos fornecedores, porcentagem que deve triplicar nos próximos três anos.
“Nessa nova lógica, o menor preço ainda é fundamental, mas não basta”, diz João Paulo Ferreira, vice-presidente de operações e logística da Natura.

Transição
A inclusão de novos critérios para a escolha dos fornecedores é o segundo grande passo de um movimento que a Natura iniciou há cinco anos. Em 2006, a empresa passou a cobrar de sua cadeia de fornecimento o envio de relatórios trimestrais com dados socioambientais.

As informações são usadas como base para a gestão de metas globais da Natura, que envolvem, entre outros aspectos, a redução da emissão de carbono em 33% até 2013. (Até 2010, 21% desse compromisso havia sido atingido.) 
Agora, para transformar essas informações em critérios de contratação — ou até de exclusão — dos fornecedores foi preciso transformá-las em algo comparável em indústrias diferentes.

No caso de segurança dos funcionários, por exemplo, a Natura passou a considerar quanto o fornecedor gera de impacto para a sociedade ao evitar acidentes de trabalho.
Com base em dados de instituições como IBGE e Ministério da Previdência Social, chegou-se ao cálculo de que cada mês de afastamento de um empregado custa, em média, 10 724 reais para empresas e governo. “O sistema é uma forma prática de quantificar iniciativas dos fornecedores e reconhecê-los por isso”, afirma Markus Striker, vice-presidente da consultoria A.T. Kearney.

Para a transição, em agosto do ano passado 50 fornecedores foram reunidos pela Natura em um hotel em São Paulo. Durante dois dias, eles foram informados sobre os novos critérios e como poderiam melhorar seus indicadores dali por diante.
Na ocasião, a Natura também anunciou que novos fornecedores seriam chamados e os pedidos, divididos — de modo a estimular a concorrência entre eles.

Em novembro, esses novatos passaram a ser contatados. “Queríamos que nossos antigos parceiros melhorassem preços e indicadores para entrar na disputa”, diz Ricardo Faucon, diretor de suprimentos da Natura.
A subsidiária brasileira da mexicana Vitro, fornecedora de frascos para a Natura desde 2006, conseguiu quintuplicar suas vendas mesmo com a chegada de novos competidores.
Contou pontos o fato de sua emissão de carbono ser cerca de 20% menor que a média dos demais fornecedores. “Já estávamos organizados para operar de maneira eficiente e fomos premiados por isso”, diz Paulo Villas, representante da Vitro no Brasil.

Juntamente com as encomendas, a Vitro levou uma lição para casa: terá de melhorar outros indicadores socioambientais, como o de segurança do trabalho.

A partir de setembro, a empresa fará avaliação médica anual dos 2 000 funcionários da fábrica no México, onde são produzidos os itens vendidos para a Natura. Antes, a avaliação não era feita com regularidade.

O novo sistema de compras abriu espaço para que dez novos fornecedores fossem contratados pela Natura. Entre eles está a América Tampas, fabricante paulista de tampas para embalagens de plástico, que batia na porta da empresa de cosméticos — sem sucesso — havia três anos.

Em novembro, seus executivos foram convidados a participar do processo de seleção que levaria em conta os indicadores socioambientais. “Durante seis meses, apenas fornecemos informações”, diz Alfredo Ramenzoni Izzo, diretor da América Tampas.
“Mas não sabíamos se seríamos ou não contratados.” Deu certo — em agosto, a empresa fechou um contrato de dois anos com a Natura. Durante esse perío­do, terá de melhorar indicadores como consumo de água e de energia. 

Há poucas semanas a Natura deu início a uma nova etapa no processo de seleção. Desta vez os escolhidos foram cerca de 100 fornecedores de itens usados na linha de produção — entre eles, materiais químicos e válvulas. A seleção deve ser concluída no primeiro semestre do ano que vem.

O passo seguinte será estender, até o fim de 2012, os novos critérios de compras dos demais 130 fornecedores ligados à fabricação de produtos. A partir daí, o sistema será levado para a escolha e manutenção de 4 000 prestadores de serviços, como logística e marketing.
 
Fonte: Exame

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Maganize Luiza é exemplo para empresas familiares


Profissionalismo à frente dos negócios deve ser parte fundamental do projeto de expansão de empresas familiares
Apesar de a crise nos países desenvolvidos ter se intensificado e de o governo brasileiro já ter revisto as previsões de crescimento para o país, especialistas afirmam que mercados emergentes como o Brasil continuarão suprindo as demandas internacionais por commodities e seguirão com economias aquecidas. Neste contexto, as companhias nacionais precisam lidar com cenários antagônicos: se proteger das ameaças externas e aproveitar as oportunidades internas de crescimento. Sendo assim, a solidez de empresas familiares, que representam 98% do total no Brasil, segundo dados de 2011 do IBGE, é parte importante da engrenagem econômica do país.
No entanto, pesquisas mostram que, aproximadamente, de cada 100 empresas familiares no Brasil, 30 sobrevivem à segunda geração, e apenas cinco chegam à terceira. No atual cenário macroecômico, em que fusões e aquisições acontecem com freqüência e produtos importados representam cerca de 20% do mercado brasileiro, a concorrência em qualquer setor está cada vez mais forte. As empresas, portanto, precisam ampliar horizontes e organizar os negócios se quiserem crescer – ou até mesmo sobreviver.
Para abrir capital, por exemplo, é necessário que a empresa tenha transparência e metas claras e objetivas de rentabilidade (o que nem sempre ocorre em empresas familiares), pois passará a prestar contas a acionistas. E esse pode ser um caminho vantajoso: o Magazine Luiza, empresa familiar, lançou ações na Bolsa no começo desse ano, captando R$ 925,8 milhões.
Analistas de mercado apontam que o segredo da expansão da rede, que começou com uma loja na cidade paulista de Franca há mais de 60 anos e hoje tem mais de 600 espalhadas pelo Brasil, é o profissionalismo à frente dos negócios, que não permite que os egos familiares ganhem destaque. Vale lembrar ainda que recentemente a companhia deu mais um passo rumo ao crescimento e adquiriu o Baú da Felicidade, que era do grupo Silvio Santos.
Mesmo que a abertura de capital não esteja nos planos imediatos da empresa, adotar com afinco práticas de governança corporativa e implantar regras claras de gestão é o primeiro passo na busca pela perenidade dos negócios – afinal uma empresa familiar se preocupa em deixar um legado para as próximas gerações.
Definir a estrutura organizacional e os papéis dos executivos que vão conduzir a profissionalização deve fazer parte das novas regras logo de início. Os líderes merecem atenção especial durante esse processo, pois serão eles que irão ajudar a consolidar as práticas necessárias. Um dos desafios é identificar as posições-chave para essa empresa que está se remodelando, analisar se contratações são necessárias e buscar talentos dentro da própria empresa e entre os membros da família (processo conhecido como assessment).
A família não deve ser necessariamente afastada do controle, mas é importante fazer uso de critérios racionais para avaliar a competência dos executivos e as necessidades de mudanças no quadro de diretores. É possível até que a melhor solução seja uma administração mista. De acordo com pesquisa realizada em 2010 pela consultoria McKinsey, empresas familiares têm rentabilidade 3% superior, em média, à de negócios não familiares, justamente pelo comprometimento do clã fundador. Se for detectada a necessidade de contratação de gestores externos, o que ocorre na maioria dos casos, esta deve ser incorporada ao planejamento estratégico.
O segundo passo é integrar a cultura da empresa, que não pode ser desprezada, a essa nova realidade. Para conquistar os objetivos da nova linha de gestão, é fundamental avaliar as competências e o perfil dos executivos para desenvolver e fortalecer comportamentos, alinhando a liderança à estratégia do negócio. Ter um acompanhamento ao longo do processo, que avalie os resultados e promova ajustes, contribui para consolidar a nova administração.
A profissionalização das empresas familiares é, portanto, peça-chave para seu sucesso e perpetuação. Além de garantir altos padrões de governança, gestão e performance, a profissionalização é também um antídoto contra eventuais desavenças familiares que possam, no futuro, comprometer a saúde e até mesmo a sobrevivência do negócio.

Patricia Epperlein é sócia-presidente da Mariaca, empresa de gestão de capital humano.

D'Paschoal fecha lojas de pneus e muda conselheiros


Grupo decide encerrar unidades, algumas delas com mais de 20 anos, devido à competição com produtos chineses e hipermercados
O grupo D’Paschoal decidiu fechar metade das lojas dedicadas apenas à venda de pneus para os consumidores finais. O grupo encerrou ainda o conselho de administração de sua principal empresa, a Comercial Automotivo D’Paschoal, para formar um novo conselho e dar mais agilidade à gestão, segundo afirmou o presidente da companhia, Luiz Norberto Paschoal.
Algumas das lojas que serão fechadas, como a da Avenida Santo Amaro, possuíam mais de vinte anos. Segundo Paschoal, a invasão de pneus chineses e a entrada dos hipermercados nesse segmento acirraram a concorrência e inviabilizaram a manutenção de algumas unidades, sobretudo em regiões onde os preços dos aluguéis dos pontos de venda subiram muito nos últimos anos.
“Hoje, as pessoas também estão trocando de carro, não de pneu. Muitas pessoas agora compram um carro novo antes de precisarem de pneus novos”, afirma Paschoal. Segundo ele, atualmente, não são muitas as lojas do grupo que só vendem pneus para os consumidores finais – ele não precisou o número de lojas que serão fechadas. Esse tipo de ponto de venda está concentrado na cidade de São Paulo.
A empresa vai concentrar seus esforços em setores que estão crescendo no País, como, por exemplo, o segmento de caminhões pequenos. Esse mercado está se expandindo com a maior procura por serviços de entrega domiciliar e a restrição ao tráfego de caminhões nas grandes cidades.
Mudança do conselho
Sobre a decisão de renovar todo o conselho da principal empresa do grupo, o empresário afirmou que a medida era necessária para trazer uma visão mais crítica à empresa. “No conselho, sempre era eu o mais duro, e eu sou o presidente. O conselho precisa ser crítico. O conselheiro está lá para trabalhar e tomar posições que muitas vezes não são as mais agradáveis. O conselho não se reúne para tomar cafezinho”, afirmou Paschoal, que participou em São Paulo de um seminário sobre governança corporativa em empresas familiares, promovido pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).
O conselho da empresa era formado por 11 conselheiros, dos quais seis eram externos e o restante de membros da família. O novo conselho está sendo ainda definido mas, segundo Paschoal, a ideia é que dois terços dos assentos sejam ocupados por conselheiros independentes.
Grupo D'Paschoal
Fundado em 1949, o Grupo D’Paschoal é líder no segmento de pneus e baterias, amortecedores e freios. A empresa está presente em sete Estados e possui mais de 200 lojas, com a marcas D’Paschoal e mais de 300 lojas com a bandeira Top Service. O grupo também controla a DPK, distribuidora de autopeças, com 17 centros de distribuição no País, e a AutoZ, um dos primeiros portais especializados em acessórios, som automotivo e auto-peças e líder no segmento automotivo online.
Fonte: Claudia Facchini, iG São Paulo | 24/10/2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Menos PIB e menos inflação

Mais uma vez, cai a expectativa do mercado financeiro quanto ao crescimento do PIB neste ano: de 3,42% para 3,30%, segundo a edição desta semana do relatório Focus, distribuído pelo Banco Central. Boa notícia é que também foi reduzida a projeção de inflação neste ano, com IPCA fechando dentro do limite da meta, 6,50% (antes, estava em 6,52%).

2012
Para 2012, o Focus antecipa PIB avançando 3,51% (antes, 3,60%) e IPCA terminando em 5,60% - depois de sete semanas com estimativa de alta (antes, 5,61%).

Selic
Quanto à Selic, os analistas ouvidos pelo Focus indicam, mais uma vez, taxa fechando este ano em 11% e em 10,50% o próximo. Há um mês o mercado previa Selic a 10,75% para o fim de 2012 e os mesmos 11% para o final deste.

Dólar
Idem quanto a taxa do dólar ao final deste ano, R$ 1,75, à média de R$ 1,66. Para 2012, dólar igual, com média de R$ 1,74.

IGPs
A inflação deve ceder também na medição pelos outros índices, este ano: IGP-DI de 5,87% (antes, 5,92%) e IGP-M de 5,87% (antes, 5,87%). Mas para 2012, a projeção é de alta no IGP-DI (de 5,15% para 5,17%) e no IGP-M (de 5,26% para 5,29%). Para os preços administrados, alta de 5,80% este ano (antes, 5,80%) e dos mesmos 4,55% em, 2012.

Reajuste no preço do combustível
Na reunião do conselho de administração desta quinta-feira, a Petrobras vai discutir reajuste os preços dos combustíveis, sem aumentar o custo ao consumidor, obtendo do governo redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

Baixa no gás 1
Nota da Petrobras: a estatal "resolveu, a seu exclusivo critério, aplicar novo desconto nos contratos de gás natural com reajuste em 1º de novembro de 2011, de modo a manter a atual competitividade do energético no mercado. A partir de 1° de novembro será praticado 18,6% de desconto, referente à integralidade da variação dos indexadores de reajuste trimestral (cesta de óleos combustíveis internacionais). Nos trimestres anteriores o desconto havia sido de 9,7%, em 1° de maio, e de 14,3%, em 1° de agosto".

Baixa no gás 2
De acordo com os contratos, são permitidos reajustes trimestrais. Em novembro, o preço do gás natural nacional firme será reajustado para, na média, R$ 0,844/m³. Com o desconto de 18,6%, o preço a ser pago pelas distribuidoras será reduzido para R$ 0,69/m³, em média.

Baixa no gás 3
Diz ainda a nota: "a decisão levou em conta o cenário recente de evolução dos preços dos energéticos e suas conseqüências sobre os valores estipulados nos contratos de gás natural de origem nacional. O desconto não constitui mudança nas fórmulas de precificação dos contratos de gás ou novo acordo, mantendo-se, portanto, inalterados todos os instrumentos contratuais vigentes".

Imposto no óleo e gás
E a China estabeleceu um imposto nacional temporário para recursos naturais de 5% sobre petróleo bruto e gás natural, a partir de 1º de novembro informa o Ministério de Finanças. O mercado esperava taxa de até 10%. A receita será destinada a projetos de petróleo e gás em várias das onze províncias do país.

Contas nacionais
Mais Focus: a relação dívida pública líquida/PIB ao final deste ano será de 39% e 38% no próximo (como antes previsto). O ano termia com déficit em conta corrente de US$ 55,1 bi (menos que antes, US$ 55,3 bi). Em 2012, sobe de US$ 68 bi para US$ 68,310 bi. O saldo da balança comercial será de US$ 27 bi neste ano e de US$ 18,9 bi no próximo (as previsões anteriores, pela ordem, eram de US$ 26,4 bi e US$ 18,450 bi). E o ingresso de investimento estrangeiro continua, este ano, em US$ 60 bi, mas sobe, no próximo, de US$ 50 bi para US$ 51,8 bi.

Saldo do ano: US$ 23,6 bi
Informa o Ministério do Desenvolvimento, nos 203 dias úteis de 3 de janeiro a 24 de outubro,o Brasil exportou US$ 205,086 bi e importou US$ 181,479 bi, com aumento de 29,8% nas exportações e de 26,4% nas importações sobre o mesmo período de 2010. O saldo está, este ano, 63,2% maior que o de 2010 e a corrente de comércio soma US$ 386,565 bi, valor 28,2% maior que o do mesmo período no ano passado. 

Fonte: O dia-a-dia da economia, por Joelmir Beting