segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mortalidade das pequenas empresas diminui, diz Sebrae


A taxa de sobrevivência das empresas é maior na indústria; Sudeste está acima da média nacional

São Paulo – As pequenas empresas brasileiras estão sobrevivendo mais. Hoje, 26,9% das pequenas empresas brasileiras não conseguem se manter nos dois primeiros anos de vida. A última pesquisa do tipo indicava que a taxa de mortalidade era de 28,1%. As informações são da pesquisa de Taxa de Sobrevivência divulgada pelo Sebrae.

Sobreviver a este período significa que as empresas brasileiras estão conseguindo ganhar mercado. Os dois primeiros anos são os mais críticos para os empreendedores, já que é o momento de conquistar clientes e se consolidar como opção no mercado. “O índice brasileiro hoje é muito competitivo e muito similar ao de alguns países desenvolvidos”, diz Luiz Barretto, presidente do Sebrae nacional.

A pesquisa é mais quantitativa e não investiga a fundo os motivos do fechamento. Para Barretto, a chave do sucesso está no planejamento, no acompanhamento diário do negócio, nas oportunidades de cada momento e, principalmente, na inovação. “Em todo ramo, sempre é possível inovar. Atualizar o produto hoje e utilizar as novas tecnologias são ações importantes”, diz.

A região sudeste tem o índice mais alto de sobrevivência, 76,4%. Para a instituição, o acesso à informação é essencial. “Quanto mais alta a escolaridade do empreendedor, mais chances ele tem no mercado”, sugere. Segundo Barretto, a tendência para os próximos anos é que os índices passem a ser mais homogêneos nas diferentes regiões.

Nove estados e o Distrito Federal tiveram taxas acima da média nacional. Em Roraima, quase 80% das empresas sobrevivem aos dois primeiros anos. Paraíba, Ceará, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Piauí, Alagoas, Rondônia e Espírito Santo também estão entre as unidades da federação onde as empresas sobrevivem mais.

Entre os setores, a indústria tem mais negócios sobreviventes. Hoje, 75% das pequenas indústrias conseguem passar a barreira dos dois anos. Em seguida, as empresas de comércio, com 74% de taxa de sobrevivência, serviço, com 72%, e construção civil, com 66%. “Como entrar no ramo industrial é mais difícil, você toma alguns cuidados como planejamento maior e sobrevive mais”, explica o presidente do Sebrae.

Este ano, a pesquisa foi feita com uma nova metodologia. O Sebrae abandonou a pesquisa de campo e passou a usar dados da Receita Federal sobre 500 mil empresas criadas em 2006. “Este é ano do início do Supersimples. Estamos medindo o efeito desse regime, o que prova que o ambiente legal é muito importante”, explica Barretto.

As recomendações do Sebrae para conseguir sobreviver no mercado são ter planejamento, respeitar a capacidade financeira, manter finanças pessoais e empresariais separadas, acompanhar a concorrência, buscar novos fornecedores, controlar o estoque, investir em marketing, inovar, apostar em formação e ser fiel aos valores da empresa.

Fonte: Exame

Ranking põe trabalhadores brasileiros entre os mais ‘engajados’ do mundo

Lista com 18 países traz Brasil em 3º lugar, atrás somente de Índia e China; países desenvolvidos europeus ficam para trás. 


Os empregados brasileiros estão entre os mais engajados no trabalho, segundo uma pesquisa internacional que colocou os funcionários de empresas no país em terceiro em um ranking de 18 países.

A pesquisa, realizada pela consultoria ORC International, considera como engajado o empregado que fala bem da empresa e de seus produtos, tem interesse em continuar sendo parte da organização e em buscar seus objetivos e se esforça para ir além das expectativas básicas de sua função. 

Em um índice de 0 a 100, o engajamento dos empregados brasileiros foi classificado em 64, atrás somente dos chineses (67) e indianos (74). 

Segundo a ORC International, a pesquisa mostra o impacto que as mudanças econômicas globais vêm tendo sobre o ambiente de trabalho, já que os três primeiros do ranking são países com crescimento acelerado nos últimos anos.

No outro oposto, três das últimas cinco posições do ranking são ocupadas por economias desenvolvidas europeias (Grã-Bretanha, França e Espanha), e a última posição é ocupada pelo Japão. 

"Sem dúvida os maiores beneficiários da crise econômica têm sido os grandes mercados emergentes. Enquanto os países com economias avançadas lutavam para manter o fluxo de capital por meio de seus sistemas financeiros prejudicados, economias emergentes como a China, a Índia e o Brasil estavam destinados a se adaptar e prosperar", comentam os autores da pesquisa. 

A China foi o país que mais se destacou no ranking deste ano, subindo sete posições em relação ao ano passado e tomando a segunda posição do Brasil.
Por outro lado, a Grã-Bretanha e a Austrália caíram quatro posições cada no ranking, ocupando respectivamente a 17ª e a 14ª posições. 

Apesar do alto nível de engajamento geral medido pela ORC International entre os trabalhadores brasileiros, a pesquisa coloca o país apenas em 11º entre os 18 pesquisados quando é analisada somente a percepção sobre o ambiente de trabalho. 

O país perdeu cinco posições no ranking sobre ambiente de trabalho entre 2010 e 2011. Segundo a consultoria, "se os índices nessa área continuarem a cair, a bolha do engajamento no Brasil pode estourar no futuro próximo".
"Assim como os mercados emergentes e os níveis de crescimento rápido levaram à formação de bolhas perigosas na economia, o engajamento dos trabalhadores está longe de estar imune a essas tendências", observa a pesquisa.

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Guerra fiscal reacende a polêmica sobre o ISSQN


Os benefícios fiscais concedidos pelos governos a fim de atrair empresas são um mecanismo bastante comum. Quando se fala em guerra fiscal logo se pensa em estados, mas existe também entre os municípios. Motivadas pela necessidade de aumento de receita, as prefeituras também realizam essas manobras tributárias com relação ao Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN). Para atrair empresas de serviços que recolhem ISSQN, as administrações fazendárias municipais reduzem as alíquotas do imposto, promovendo verdadeiras disputas fiscais. Mas, nesse esforço de arrecadação, muitos contribuintes acabam pagando o imposto em duplicidade. É o caso de instituições que possuem sede em uma cidade e prestam serviços em outra: além de pagar o imposto no local sediado, têm o tributo recolhido na fonte, gerando tributação dupla.


A lei geral determina que o prestador de serviços deve pagar o imposto na cidade em que está sediado e não no local da prestação do serviço, conforme o PLC 116 de 2003. Segundo o texto do artigo 3º, "o serviço considera-se prestado e o imposto devido no local do estabelecimento prestador ou, na falta do estabelecimento, no local do domicílio do prestador, exceto nas hipóteses previstas nos incisos I a XXII, quando o imposto será devido no local". Neste caso, estão incluídos os serviços como a instalação de andaimes, palcos, coberturas e outras estruturas, edificações em geral, estradas, pontes, portos e congêneres, execução de varrição, coleta, remoção, incineração, tratamento, reciclagem, jardinagem, entre outros. "Esta lei nacional, por regra, é a que todos os municípios deveriam seguir", afirma o advogado tributarista Rafael Nichele, da Cabanellos Schuh Advogados Associados.

Nichele acredita que uma das soluções seria restringir a adoção da substituição tributária pelos municípios, pois a lei permitiu estabelecer este regime quando determinadas atividades fizessem a retenção do tributo no momento da apresentação da nota fiscal pelo prestador. Segundo ele, os municípios acabaram extrapolando esta hipótese.

O presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (FAMURS) e prefeito de São Borja, Mariovane Weis, diz que não existe cobrança em duplicidade, pois a interpretação dos municípios, baseada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é de que o fato gerador é o local da prestação do serviço e não na cidade em que a empresa está sediada. "Seria uma incoerência não pagar no município onde o trabalho foi realizado", rebate o presidente. "Como outro município pode ganhar por um serviço prestado em outra cidade?", questiona.

Cadastro livra da obrigatoriedade do recolhimento "O assessor de Planejamento e Projetos Tributários da Secretaria Municipal da Fazenda de Porto Alegre (SMF) Flávio Cardozo de Abreu explica que as pessoas jurídicas que prestam serviços na Capital e emitem documentos fiscais autorizados por outro município estão obrigadas a proceder a solicitação de inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços de Outros Municípios (CPOM) da Secretaria Municipal da Fazenda. Esse procedimento é necessário quando a empresa presta alguns dos serviços obrigados a pagar o tributo, conforme determina a lei.

Para realizar a inscrição em Porto Alegre, a empresa deve acessar o endereço eletrônico www.portoalegre.rs.com.br/smf e preencher a declaração. O representante legal precisa conferir os dados informados, transmitir as informações pela internet ou, se preferir, remeter via postal ou entregar pessoalmente no endereço da prefeitura, na travessa Mário Cinco Paus, S/Nº, Centro de Porto Alegre. Para qualquer dúvida, os interessados poderão utilizar o e-mail cpom@smf.prefproa.com.br.

"De acordo com o advogado Rafael Nichele, com tanta burocracia, muitas empresas menores acabam pagando o imposto em mais de uma cidade. "A falta de conhecimento sobre o cadastro e a legislação está levando muitos contribuintes a pagar mais do que deveriam", afirma.

Prefeituras seguem decisão do STJ "Muitas empresas acabam resolvendo o impasse sobre o local da cobrança do ISSQN na Justiça, prejudicando até mesmo a relação comercial entre o cliente e o prestador de serviço. "Mesmo a tomadora não sendo a ré, ela vai preferir contratar uma empresa que esteja sediada no local para realizar o serviço", observa o advogado Rafael Nichele.

As divergências entre o que diz a lei geral (PLC 116/03) e as determinações do Superior Tribunal de Justiça (STJ) criam certa confusão na cobrança do ISSQN até mesmo para a fiscalização. O entendimento quase unânime do STJ é de que o imposto deve ser retido no local onde é realizado o serviço, independentemente do endereço da sede do prestador ou do tomador. Duas determinações antagônicas que geram trabalho dobrado.

Na prefeitura de Porto Alegre, por exemplo, os fiscais são obrigados a realizar o lançamento do tributo conforme a lei geral, mas quando chega à área administrativa, vale a regra ditada pelo STJ. "Isso gera insegurança tanto para a fiscalização quanto para o contribuinte", declara o assessor de Planejamento e Projetos Tributários da Secretaria Municipal da Fazenda de Porto Alegre (SMF), Flávio Cardozo de Abreu.

As diferenças de alíquotas entre um município e outro também são uma das reclamações dos empresários. O advogado explica que, no caso de filiais, cada uma deve pagar o imposto em seu município, mesmo que a alíquota seja diferente do local em que está sediada a matriz. Também costumam pagar alíquotas diferentes aquelas empresas com o mesmo nome fantasia, mas com CNPJ diferentes, e que atuam em diversas cidades.

As alíquotas só não são variáveis quando os serviços possuem seus próprios regramentos, como no caso das profissões regulamentadas.

Na Capital, as alíquotas de ISSQN variam de 2% a 5%, dependendo do serviço prestado. Abreu explica que o imposto tem competência municipal e a Constituição Federal assegura autonomia para os municípios instituírem os impostos como o IPTU, ITBI e ISSQN. De acordo com ele, no caso de dois municípios cobrarem o ISSQN pelo mesmo fato gerador, o contribuinte, se já tiver arcado com a obrigação tributária, deve solicitar a devolução do débito para o município onde está sediado, quando o serviço tiver sido prestado fora da sede da empresa.

Operadoras de cartão de crédito na mira dos municípios "Há uma discussão judicial por parte dos municípios gaúchos para rever os valores do ISSQN referente aos serviços prestados pelas operadoras de cartões de créditos. De acordo com o presidente da FAMURS e prefeito de São Borja, Mariovane Weis, se existe guerra fiscal, ela é motivada pelos municípios de Osasco e Barueri, ambos do estado de São Paulo.

A briga foi instalada no momento em que as cidades paulistas passaram a cobrar a alíquota de 0,2% de ISSQN das empresas financeiras, destoando do restante do País. Segundo o presidente, o ISSQN para essas operações varia de 4% a 5% em qualquer outra prefeitura. Com o percentual cobrado em São Paulo, os dois municípios conseguiram atrair todas as operadoras de cartões de crédito existentes no Brasil para instalarem suas sedes na região. De acordo com Weis, no Rio Grande do Sul, nenhum município cobra menos de 4% para esta prestação de serviço. "As operadoras estão correndo o risco de pagar duas vezes o tributo pelo mesmo serviço", comenta o presidente, confiante na decisão da Justiça. Segundo ele, a federação pensa em fazer um acordo coletivo com as operadoras.

Para o assessor de Planejamento e Projetos Tributários da Secretaria Municipal da Fazenda de Porto Alegre (SMF) Flávio Cardozo de Abreu existe sim uma guerra fiscal entre os municípios gaúchos. Segundo ele, na ânsia de aumentar a receita em curto prazo, alguns municípios reduzem a base de cálculo ou utilizam outros subterfúgios para atrair empresas. "Por força do entendimento do Superior Tribunal de Justiça há uma tendência de reduzir essa guerra fiscal, pois o local do pagamento independe do endereço da sede da empresa", garante. Além disso, conforme explicação do assessor da prefeitura, a Constituição Federal proíbe a concessão de isenção, incentivos e benefícios fiscais como a redução de base de cálculo ou qualquer outro meio que torne a alíquota efetiva do ISSQN inferior a 2%.

Fonte: FENACON

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Para vencer o apagão de talentos

Com a demanda por profissionais em alta no país, as empresas brasileiras cada vez mais investem na formação de liderança — algo nem sempre tão fácil como parece.
Nos últimos dois anos, o faturamento da CBSS, administradora de cartões Visa Vale, cresceu 54% — e chegou a 10 bilhões de reais em 2010. A expansão é um reflexo, sobretudo, do aumento do número de trabalhadores formais no país, que recebem benefícios como vale-alimentação e refeição.

Gerenciar esse crescimento, porém, representa bem mais do que atrair e reter o 1,4 milhão de novos clientes que ingressaram nesse período na base da companhia.

O maior desafio da CBSS está da porta para dentro — formar as pessoas capazes de sustentá-la. À medida que as vendas crescem, o número de executivos da companhia aumenta na mesma proporção.

A equipe de principais executivos da CBSS, entre diretores e gerentes, passou de 44 para 90 desde o início de 2009. A primeira re­ação da companhia foi contratar gente no mercado para esses níveis — 30% dos profissionais que preencheram as novas vagas vieram de fora.

É uma tática que, com o aumento da procura por profissionais qualificados no país, torna-se cada vez mais cara e complicada. Com a perspectiva de crescer outros 20% neste ano, a companhia conduziu pela primeira vez um programa interno de formação de liderança, que durou 24 meses e foi concluído no fim de 2010.

Os estreantes compõem um grupo de 80 diretores, gerentes e coordenadores que passaram 50 horas em aulas sobre estratégia, empreendedorismo e trabalho em equipe.

“Antes tínhamos tempo para ensinar esses conceitos no dia a dia. Mas agora precisamos preparar mais gente rapidamente”, diz Newton Neiva, presidente da CBSS. Neste ano, 270 profissionais estão nas salas de aula montadas dentro da própria companhia, em São Paulo.

Habituados a lidar com uma ampla gama de dificuldades — como excesso de impostos e péssima infraestrutura —, cada vez mais quem faz negócios no Brasil está exposto a um novo obstáculo: o apagão de líderes. Trata-se de um problema que evolui de maneira diretamente proporcional ao crescimento das empresas.

Muitas delas, despreparadas para o súbito aumento da demanda por gente, acabam promovendo líderes em ritmo de pastelaria e nem sempre com a eficiência necessária. Um estudo global das consultorias McKinsey e Egon Zehnder com empresas de 13 países revela que não basta gastar fortunas em treinamento para os profissionais.

As companhias de sucesso são aquelas com um objetivo muito claro na formação de sua liderança. Para crescer organicamente, por exemplo, é preciso ter executivos capazes de construir equipes. Para crescer por aquisições, a capacidade de integrar rapidamente um novo negócio tem um peso maior.

“Entrevistamos mais de 5000 pessoas no mundo e descobrimos que empresas bem-sucedidas são aquelas que sabem o perfil de executivos ideais para cada estratégia”, diz Frederico Oliveira, sócio da McKinsey especializado em recursos humanos. “Parece óbvio, mas no dia a dia poucas empresas relacionam suas metas ao perfil da equipe.”

Segundo consultores, existem diversas razões pelas quais as empresas têm dificuldade em unir a própria estratégia ao perfil de líderes — e a primeira delas é tão simples quanto isto: muitas não conhecem a fundo seus próprios funcionários. Pode surpreender que isso aconteça mesmo nos casos em que se mobilizam tempo e dinheiro em amplos programas de avaliações da equipe.

Fazer o ajuste fino entre a qualificação das pessoas e os objetivos da companhia pode ser desafiador até mesmo para empresas reconhecidas como verdadeiras fábricas de líderes. É o caso da operadora de logística ALL, que teve apenas três presidentes desde sua criação em 1997 — todos eles formados dentro de casa.

“Um erro comum é desprezar aspectos menos objetivos e mais difíceis de avaliar como a capacidade de trabalhar em equipe e delegar”, afirma o especialista em liderança Pedro Mandelli.

O momento da virada aconteceu em 2009, quando os principais executivos perceberam que suas avaliações de desempenho estavam demasiadamente voltadas para metas financeiras individuais e deixavam de lado questões comportamentais.

O resultado era um ambiente ácido — num nível que poderia ame­açar o desempenho no futuro. Desde então todos os 300 executivos da empresa passaram a ser avaliados por critérios como capacidade de mobilizar a equipe. “Quinze deles têm hoje pontuação baixa nesses quesitos e são acompanhados um a um”, diz Melissa Werneck­, diretora de gente da ALL. 

Formação em massa

O ideal é que a análise do pessoal não se restrinja ao topo da pirâmide. Na Johnson&Johnson, o programa de liderança começou em 2010 com 250 funcionários da área comercial. Desde então, eles participam de aulas sobre temas como finanças e comunicação e têm encontros com seus chefes para discutir planejamento de carreira.

Os 30 gerentes e diretores comerciais passaram a ter também encontros individuais com consultores de gestão que lembram sessões de psicologia. “Só agora vamos levar esse projeto para a diretoria. Atacamos primeiro as áreas críticas para nossa expansão”, diz Sonia Marques, diretora de RH da J&J.

Quanto mais rápida a taxa de crescimento da companhia, mais aceleradas precisam ser a avaliação e a formação dos executivos. A BR Malls, por exemplo, construiu uma verdadeira linha de formação de líderes. Desde sua criação, em 2007, a empresa adquiriu mais de 30 shoppings e passou de sete para 41 unidades.

Cada compra exige, em média, a criação de dez cargos de gerência e coordenação. Para manter o ritmo, a BR Malls iniciou em janeiro um programa para melhorar a visão estratégica e o desenvolvimento de pessoas de 80 de seus executivos. Essa turma vai receber em setembro um certificado de liderança e, com ele, poderá se qualificar para uma promoção.

Há uma ressalva importante sobre os programas de formação: eles nem sempre funcionam. “Treinamentos servem para correções leves e, mesmo assim, começam a dar resultados só depois de dois anos”, diz Luís Giolo, sócio da Egon Zehnder. É preciso saber diferenciar, portanto, as batalhas que valem a pena e as perdidas logo na largada.

“Para entrar em novos mercados ou mudar a estratégia, é mais rápido contratar gente no mercado”, diz Luis Augusto Lobão, da escola de negócios Fundação Dom Cabral. A TAM encontrou uma forma de balancear a promoção e a atração de pessoal. “Às vezes, é saudável atrair pessoas com uma nova visão, sobretudo para tocar novos negócios”, diz Líbano Barroso, presidente da TAM.

Foi essa lógica que norteou a contratação de Eduardo Gouveia, com passagens pela Cielo e pelo Walmart, como presidente da empresa de fidelidade Multiplus. Hoje, 14 dos 38 principais executivos da TAM vieram de fora. Para sobreviver ao apagão de talentos é preciso reconhecer que, em muitos casos, ele é inevitável.
 
Fonte: Revista Exame

Equívoco em e-mail causa de advertência a demissão


PATRÍCIA BASILIO
DE SÃO PAULO

Enviar e-mail aos colegas com críticas às políticas da empresa era atitude comum no dia a dia da gerente de contas C.A., 24. A prática foi interrompida quando ela copiou o chefe por engano e recebeu advertência.
 
"Deixei de usar o e-mail corporativo para assuntos pessoais e redobro a atenção ao selecionar destinatários", diz ela, que foi demitida seis meses depois, em um corte.

Gafes como a da gerente de contas não são isoladas. Sondagem realizada pela consultoria Robert Half em agosto com 300 executivos brasileiros mostra que 70% deles já enviaram e-mail errado ou copiaram alguém por engano. 

O motivo, segundo Maria Paula Menezes, gerente de tecnologia da consultoria, é falta de atenção dos profissionais devido à alta demanda no trabalho. "Enviar mensagem sem revisar ortografia e conferir conteúdo também são erros constantes", afirma a especialista. 

Deixar de ler o que foi digitado rendeu aborrecimento à coordenadora de marketing digital Mayza Ceschin, 38. De sua conta de e-mail saiu mensagem com uma única frase para aproximadamente 1.000 funcionários, incluindo as chefias, desejando "felis aniversário" (sic). 

"Tive de fazer uma retificação e pedir desculpas", lembra a coordenadora. Com a experiência adquirida, ela diz pretender lançar site sobre etiqueta digital e uso de redes sociais no trabalho.

No caso de destinatário errado, reforça Menezes, o profissional deve enviar e-mail desculpando-se e pedindo para a pessoa desconsiderar e apagar a mensagem. "Se o conteúdo for confidencial, o superior precisa ser avisado." 

As conseqüências podem vir em forma de conversa ou chegar a uma advertência, de acordo com Luiz Testa, gerente de vendas da Vagas, que desenvolve tecnologias para recrutamento e seleção. 

Dependendo do perfil da empresa, pondera Testa, pequenas falhas podem não prejudicar o profissional. "Se a cultura da organização for liberal, por exemplo, um e-mail com críticas construtivas ao líder pode ajudar a melhorar o ambiente de trabalho." 

Em casos extremos, contudo, como mensagem com críticas ofensivas ao chefe ou com conteúdo confidencial da companhia, "o profissional tem sua imagem manchada na empresa e pode até ser demitido", sinaliza Testa. 

"As alternativas para evitar deslizes como esses são deixar de enviar e-mail pessoal na conta do trabalho e não confiar na ferramenta de autocompletar do sistema", aconselha o especialista.

Fonte: UOL